
Claro que o bem maior é a vida e os 21 mortos na tempestade que desabou do Natal para cá são os que perderam o principal, mas no conjunto dos males menores o prejuízo é incomensurável.
Após o sobrevoo de ontem nas áreas atingidas, os ministros João Roma (Cidadania), Marcelo Queiroga (Saúde) e Damares Alves (Mulher) deram coletiva em Itabuna ao lado de Rui Costa e Jaques Wagner, o senador.
No pacote de ajuda anunciado, R$ 200 milhões para recuperar as estradas prejudicadas, dinheiro que rateado entre Minas, Goiás e Amazonas, dá R$ 80 milhões para o Nordeste. Só isso? A chiada foi dada pleo próprio Rui.
— R$ 80 milhões não dão nem para a Bahia.
Estragos — João Roma fez questão de replicar:
— Será liberado o que for necessário. Isso é apenas um primeiro momento.
Só nas BRs, estradas federais, houve 10 interdições, entre pontes derrubadas e paredões desmoronados. Tem mais estradas estaduais, vicinais, ruas destroçadas, sem falar nos imensos prejuízos pessoais às mais de 30 mil famílias de desabrigados.
Zé Cocá (PP), presidente da UPB e prefeito de Jequié, pediu aos ministérios da Cidadania e Desenvolvimento Regional a abertura excepcional do Programa Proponente Específico para Gestão de Risco e Respostas a Desastres. É um pedido de socorro. A questão é saber se o que Roma disse vai valer mesmo.
Fogo no ar em Porto Seguro
Se em Salvador o prefeito Bruno Reis (DEM) evitou a queima de fogos de artifício na orla, embora vá fazer na Baía de Todos-os-Santos, para evitar aglomerações, em Porto Seguro o prefeito Jânio Natal (PL) promete a maior queima de fogos de todos os tempos na Passarela do Descobrimento, o point da orla na Terra Máter.
Nos dois lados não haverá festa com dinheiro público, mas particulares, fogos à parte, é só escolher.
No Morro, tudo na paz
Já em Cairu, o município arquipélago que inclui as ilhas de Tinharé, onde fica o Morro de São Paulo, e Boipeba, duas vedetes do turismo baiano, o prefeito Hildécio Meirelles (DEM) diz que os que lá estão ou para lá vão sintam-se abraçados, mas não vê nas circunstâncias atuais com a tragédia das chuvas motivo para festas e nem fogos.
Mas tal e qual em outros pontos (inclui Barra Grande, Maraú), tem festa também.
Jiquiriçá chega no Guaibim
As águas que passaram pelo Rio Jiquiriçá após a chuvarada do Natal a domingo, causando muita destruição em Laje, Mutuípe, São Miguel das Matas e Ubaíra, com as suas conexões regionais que incluem o Rio Patipe, Valença, há três dias estão chegando no mar, inundando parcialmente a estrada do Guaibim e bloqueando o acesso.
Dois bairros, Portelinha e Nova Canaã, estão alagados. E 300 famílias desabrigadas.
Prefeitos dizem que até agora ajuda só do povo
Prefeitos de municípios fortemente atingidos pelas chuvas reclamam de que até agora a ajuda oficial tem sido pífia. José Candido Araújo, o Candinho (PP), diz que há 600 famílias, em torno de duas mil pessoas, desabrigadas e ele não sabe o que fazer:
— Não sei onde botar essas pessoas.
E faz a ressalva: até agora, a ajuda só veio da própria população, que deu água mineral.
Michel Hage (MDB), prefeito de Itapetinga, vai na mesma pegada, também se queixando da falta de apoio. E Candinho lembra que ele corre o risco de nova enchente, já que a Barragem Machado Mineiro, no Rio Pardo, em Águas Vermelhas, Minas, escancarou as comportas e ameaçam também Cândido Sales, Mascote e Canavieiras.
REGISTROS
Na rota do estrago
A Bamin, a empresa que constrói o Porto Sul e a Fiol, entrou no rol das empresas que encaminharam doações para as vítimas das enchentes. E tem a ver. De Ilhéus a Caetité, passando por Itabuna e Jequié, municípios fortemente atingidos, é trajeto da ferrovia.
Só alerta
A Codesal baixou ontem o nível, em Salvador, de Alerta Máximo para Alerta. É uma melhora, mas com riscos. Segundo o Plano de Proteção e Defesa Civil (PPDC), os níveis de perigo variam entre Observação, Atenção, Alerta e Alerta Máximo. Hoje, a chuva é pouca, mas a terra está molhada.
Fonte: Atarde, 29/12/2021



