BAHIADESTAQUEECONOMIA

Bahia pode ter perda bilionária com interdição em poços de petróleo

A paralização na produção de petróleo no Polo Bahia Terra, da Petrobras, que deve se iniciar nesta quinta-feira, preocupa integrantes da cadeia de óleo e gás no estado. Determinada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), a interdição vai afetar as operações em 37 áreas, espalhadas por 30 municípios baianos – alguns destes extremamente dependentes economicamente da indústria do petróleo.

Com uma produção diária que varia entre 15 mil e 20 mil barris de petróleo por dia, o prejuízo com a interdição pode ultrapassar facilmente os R$ 2 bilhões por ano. Por dia, com o barril a US$ 80, a perda é de R$ 6,3 milhões. Daí, R$ 165 milhões seriam distribuídos como royalties de petróleo. Entretanto, as perdas são maiores porque a produção de óleo e gás costuma movimentar uma ampla cadeia de serviços e, consequentemente, gera muitos empregos.

O temor de quem está acompanhando a situação é que se repita aqui na Bahia o que se deu em Carmópolis, no estado vizinho de Sergipe. Por lá, a indústria ficou por seis meses parada e quase quebrou a economia local. “É algo difícil de prever porque tudo dependerá do tempo em que essa operação permanecerá paralisada”, diz.

Na última segunda-feira, diversos representantes da economia baiana estiveram na sede da ANP, no Rio. Voltaram de lá com a sensação de que há um risco de o cenário de incertezas se prolongar por alguns meses.

A decisão vai impactar a produção em campos nos municípios baianos de Araçás, Buracica, Canário da Terra, Canário da Terra Sul, Cantagalo, Cidade de Entre Rios, Fazenda Alvorada, Fazenda Azevedo, Fazenda Bálsamo, Fazenda Boa Esperança, Fazenda Imbé, Fazenda Panelas, Guritã, Guritã Sul, Jandaia, Lamarão, Leodório, Malombê, Mandacaru, Massapê, Riacho da Barra, Riacho Ouricuri, Rio da Serra, Rio do Bu, Rio Itariri, Rio Sauipe, Tangará e Taquipe.

Motivo da interdição
Em ação de fiscalização realizada pela ANP, entre os dias nove e 12 de dezembro, foram identificadas “situações críticas de falhas de conformidade de segurança operacional”. A agência listou a falta de sensores de fogo e gás, sistemas de combate a incêndio e outros que visam combater cenário de vazamentos, incêndios e explosão, em diversas instalações dos campos fiscalizados.

Uma das entidades que se posicionou à respeito do problema, a Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) diz que a interdição, como uma “medida extrema”, só deveria ser justificável “decorrente de um evento novo e não conhecido, que venha a colocar em risco a segurança das instalações, meio ambiente e das pessoas”. Para a entidade, a decisão deveria se restringir aos equipamentos que geraram o problema e não a todo o polo.

“Nos alinhamos a todos que desejam o pronto restabelecimento das operações e propomos que seja dada a devida transparência no processo, com a divulgação de um eventual cronograma de providências, que cobre – de forma escalonada de acordo com a sua criticidade, eventuais ajustes necessários para que a interdição completa das instalações vinculadas a esses campos seja pelo menor prazo possível”, diz nota emitida pela entidade.

 

 

 

 

 

Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco × três =

Botão Voltar ao topo