
Após o Vitória sofrer três eliminações, as cobranças tomaram um rumo policial. Fábio Mota, presidente do clube, recebeu intimidações de morte, direcionadas também a sua família. A situação o fez repensar o futuro no clube e se manter em silêncio com a imprensa por dias.
Após o jogo contra o Nova Iguaçu, você recebeu ameaças de morte por mensagens de texto. Essa foi a primeira vez como presidente do Vitória?
O que exatamente fez você repensar seu futuro no clube?
Quem tem família, sabe. Estou há 1 ano e meio me dedicando ao Vitória, completamente. Fazendo tudo ao meu alcance para reconstruir o clube. Nem eu nem minha família merecemos passar a vida sendo escoltados por polícia, por mais amor que eu tenha ao clube. Entre o clube e minha família, vou ficar com minha família. O que me fez pensar na minha saída foram as ameaças e não colocar minha família em risco. O trabalho que fazemos aqui, desde que assumimos, não deve ser questionado dessa forma.
Em uma das mais recentes coletivas que você concedeu, disse que o presidente é responsável pelos momentos bons e ruins e que ele precisa aparecer nas duas situações. Após as ameaças e a possível renúncia, você se manteve em silêncio. Qual foi o motivo?
O Conselho Deliberativo divulgou nota de apoio à sua manutenção como Presidente do clube. No entanto, alguns conselheiros foram a público destacar que não concordam inteiramente com a nota. Como está a sua relação com o Conselho nesse momento?
O Conselho tem várias correntes. Há pessoas que lá estão para lutar pela reconstrução do clube e outros estão fazendo política, especificamente. A maioria, mais de 90%, não apenas se solidarizou como me deu apoio. Fico com a maioria, não vou debater 3 ou 4 que saíram dessa linha. Vivemos em um clube democrático, onde todos tem liberdade de expressão e respeito a opinião de todos.
Existe alguma pressão?
No início do ano, você disse que o planejamento foi superior à expectativa e que antecipou o que seria feito no segundo semestre pela importância do Baiano, da Copa do Nordeste e da Copa do Brasil. O Vitória foi eliminado dos três. Qual erro acredita que foi mais relevante para esse desfecho?
Fizemos o que estava no script. Renovamos com o treinador que subiu. Demos liberdade para o treinador e seus auxiliares, junto com o Diretor de Futebol, em conjunto com o setor de Análise de Desempenho, de montar o elenco. Demos as melhores condições possíveis: salário em dia, concentração reformada, CT da melhor qualidade. Além disso, mantivemos todas as condições extra-campo. Tivemos uma pré-temporada como nunca, extensa e planejada. Infelizmente, futebol não é só isso. Ficou provado que na montagem do elenco houve equívocos e que o perfil estabelecido dos jogadores não era perfil para disputar essas competições, que são de força. Montamos uma equipe muito técnica, mas de pouca força. Isso nos fez repensar o treinamento. Mudamos treinador, auxiliar, diretor, preparador físico. Ficou evidente que o Vitória tem problema físico crônico e foi uma das coisas que mais atrapalhou na pré-temporada. Tivemos que mudar tudo, virar a chave e montar um novo planejamento para o nosso principal objetivo, que é o acesso a Série A.
De fato, o desgaste físico é notório durante os jogos. Há alguma iniciativa em relação à preparação física?
A Série B começa no mês que vem. Já há definição quanto ao dono dos direitos de transmissão e qual valor que o Leão receberá no contrato?
Sim, chegamos a um bom termo, é uma boa proposta. Ano passado a série B pagou 208 milhões, esse ano será 210 milhões, já está definido. Na divisão, depois de descontar impostos, dará em torno de 1 milhão por mês para cada equipe da Série B. Para o que pensamos, o valor ajuda, mas não é tudo. É cerca de 30% do que precisamos para fechar os próximos oito meses.
Sem cotas da segunda fase da Copa do Brasil e do mata-mata do Nordestão e Baiano, e com cotas da Série B ainda para receber, como está a situação financeira do clube?
Tem se falado de uma reformulação no elenco, mas você comenta que a situação financeira é crítica. Como melhorar de fato o plantel do Vitória com as condições de hoje?
A situação é crítica, sim, mas não pelas eliminações. Encontramos em situação crítica. Para montar esse time e jogarmos esse ano, pagamos 11 milhões e 700 mil de TransferBan. Encontramos aqui dívidas astronômicas. O Vitória hoje paga 600 mil de parcelamento de dívidas de tributos de gestões anteriores, além dos tributos normais que pagamos. Nossa despesa gira quase em 5 milhões para fechar a conta todo mês. Graças a Deus e ao trabalho que toda a diretoria tem feito, chego hoje ao décimo sexto mês de mandato sem dever salário a jogador, nem a funcionário. E com as contas de fornecedores atuais em dia. É evidente que o Vitória tem muitas dívidas do passado, não são poucas, e que nos assombram a todo momento. Ontem, por exemplo, tivemos um bloqueio de 280 mil reais em uma ação da editora Abril. Essa ação vem de um jogador chamado Ben Hur, que entrou contra a editora por aparecer em um álbum de figurinha sem autorização. A justiça condenou a editora Abril e o Vitória. Ontem tivemos 280 mil bloqueados do valor da nossa cota que recebemos da Copa do Brasil na CBF. As dívidas acontecem aqui a todo momento e a toda hora. Nós sabemos disso e lutamos.
A meta segue sendo conseguir o acesso para a Série A?
A reestruturação no elenco será conduzida por quem? Desde a saída de Montemor, o Vitória não tem diretor de futebol. Tem algum nome engatilhado para assumir o cargo no clube?
A reestruturação já começou. Quando tiramos o treinador e, em seguida, o diretor. O processo será conduzido pelo novo diretor, que deve chegar no clube até terça-feira. Tem um nome engatilhado e que vai dar o start da reformulação, das novas contratações, evidente que conversando com o treinador. O técnico já tem os nomes dele, que precisam passar pelo crivo do diretor, da análise de desempenho e do presidente e diretoria. Ele quem vai tocar essa reformulação. Os jogadores que não vão ficar no clube já sabem. Comunicamos a todos. Fizemos reuniões ontem e conversamos com os empresários. Cerca de 10 jogadores, dos que estavam no início do ano, não devem ficar no clube e devem chegar 6 ou 7 para somar com os que aí já estão, em busca do maior objetivo que é voltar para a série A.
Na última partida, o Rubro-Negro registrou o menor público da temporada. Como engajar e convencer o torcedor a acreditar no projeto e apoiar o clube na Série B?



