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PF investiga origem de peças dos 47 fuzis em mansão na Barra da Tijuca/RJ

Polícia Federal investiga se as peças dos 47 fuzis apreendidos, na terça-feira (10), em na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, foram adquiridas nos Estados Unidos.

A suspeita aumenta já que Silas Diniz Carvalho, apontado pela PF como dono das armas, tem um endereço em Miami e poderia adquirir lá e enviar para o Brasil.

Após prender Silas em flagrante na noite de terça (10), a PF realizou na quarta-feira (11), a operação War Dogs para cumprir 10 mandados de busca e apreensão no Paraná e em Minas Gerais, “em desfavor de um dos maiores fabricantes de armas do país”, segundo informou a PF.

g1 apurou que se trata de Silas Diniz Carvalho, morador de um dos endereços mais nobres da capital mineira.

Na residência do principal alvo da operação, os policiais apreenderam peças de fuzis, carregadores e munição, além de um veículo de luxo, uma Lamborghini, avaliada em mais de R$ 1 milhão.

Prática usada por Ronnie Lessa

Se comprovada a suspeita, Silas usaria a mesma prática adotada pelo ex-policial Ronnie Lessa, acusado de assassinar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes.

Por montar fuzis, Lessa foi condenado a 13 anos de prisão. Em sua casa, foram encontradas 117 peças da arma. Ele é acusado de ter enviado dez remessas contendo diversas peças de arma de fogo da Flórida, nos EUA, para o Rio de Janeiro.

Vendidas para facções

Policiais suspeitam que as peças eram adquiridas em diferentes locais e ao chegarem ao Brasil eram montadas e assim comercializadas com facções criminosas. Para isso, Silas é suspeito de utilizar dois endereços de fachada: suas fábricas de móveis em Belo Horizonte, Minas Gerais; e em Londrina, no Paraná.

Na quinta-feira (12), a Justiça Federal converteu em preventiva as prisões de Silas e de outros dois suspeitos: Guilherme Beethoven Barbosa das Chagas e Rogério Paes Bento.

1 fuzil vendido ao custo de 8 montados

O g1 apurou que para comprar as peças e montar os fuzis, os interessados gastam em torno de US$ 1,5 mil, algo próximo a R$ 7,5 mil. O preço de um fuzil, do calibre 5,56 é de, em média, R$ 60 mil, no mercado negro. Ou seja, cada fuzil comercializado custa o mesmo que oito montados.

A Polícia Federal tem informações de que os 47 fuzis seriam levados para a comunidade da Rocinha, na Zona Sul da cidade. A favela dominada pelo Comando Vermelho tem como um dos seus chefes dos pontos de vendas de drogas o traficante John Wallace da Silva Viana, o Johnny Bravo.

De acordo com investigações policiais, Johnny Bravo tem recebido na comunidade visitas constantes de Wilton Quintanilha, o Abelha, integrante da cúpula do Comando Vermelho e um dos alvos da operação das forças de segurança do RJ na segunda (9).

A Rocinha, de acordo com apuração do g1, abriga ainda criminosos de outros sete estados: Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Ceará, Pará e Amazonas.

Para policiais ouvidos pela reportagem, a ida de tantas armas para a comunidade aumenta o risco de que os fuzis pudessem ser revendidos no interior da favela para esses criminosos e assim seguissem em pequenas remessas para diferentes regiões do país.

Empresário teve 55 carregadores apreendidos

Em junho passado, o motorista Warlei Trindade foi abordado pela Polícia Militar de Minas Gerais, no município de Passos, quando retornava de uma viagem a Londrina.

No veículo em que estava, os policiais encontraram 55 carregadores para fuzil 5,56, e outras peças para fuzil como mira holográfica, alça de mira, lanterna para armamento portátil e 23 coronhas – a parte de trás da arma e que encosta no ombro do atirador no momento do disparo.

De acordo com o relato do policial, Warlei confirmou que o carro em que transportava os equipamentos pertencia a Silas:

“Que questionado, o autor (Warlei Trindade) relatou que estava trazendo o material da cidade de Londrina/PR; que saiu da cidade de Belo Horizonte e foi até a cidade-de São Paulo, onde deixou 2 adolescentes, filhos do patrão do autor, e depois dirigiu-se a cidade de Londrina onde pegou essas 2 caixas que continham acessórios de AIR SOFT; que segundo o autor, o patrão e dono dos materiais atende pelo nome de Silas Diniz Carvalho”, disse.

Na denúncia, o Ministério Público informa que Warlei trabalha como motorista, viajando até outros estados da federação efetuando o transporte de armas, acessórios e até explosivos. O MP entende que as peças são acessórios de armas de fogo, sem autorização e em desacordo com a determinação legal.

O Tribunal de Justiça de MG, em sua segunda instância, negou o habeas corpus ao motorista. A defesa recorreu e o caso está no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

g1, 15/10/2023

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