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Infarto matou quase 2 mil pessoas na Bahia

De acordo com Ministério da Saúde, estima-se que ocorram de 300 mil a 400 mil casos anuais de infarto agudo do miocárdio no Brasil. A taxa de mortalidade é de 1 óbito para cada 5 a 7 casos. Segundo dados da Secretaria de Saúde da Bahia, em 2024, o estado registrou 1986 óbitos e 9773 internações pela doença.

Dr. Ricardo Peixoto, membro da Comissão Científica da SBC-BA, destaca que a doença coronariana é a principal causa de morbimortalidade global. Ele explica a partir de que período o problema se manifesta e suas causas.  “A doença coronariana é a principal causa de morbimortalidade no mundo. Tem seu aparecimento relacionado ao processo de envelhecimento, com pico de aparecimento entre a 5ª e 6ª década de vida. A sua ocorrência se deve a um processo inflamatório nas artérias que irrigam o coração, conhecidas como coronárias, em que, a placa de gordura é exposta ao conteúdo do sangue, culminando em trombose aguda. Essa condição pode ocluir totalmente o vaso ou parcialmente, e então ocorre comprometimento da irrigação do território envolvido”, explica.

Peixoto ainda detalha as principais causas da doença e aponta o perfil das vítimas. “Os principais fatores de risco para ocorrência de doença coronariana envolvem idade, história familiar de doença coronariana, hipertensão, diabetes, tabagismo, dislipidemia, obesidade. Outras condições associadas são doenças crônicas, como enfisema pulmonar, uso de drogas e esteroides anabolizantes”, detalha.

“Dessa maneira, reconhecendo os fatores de risco listados, propõe-se como estratégias pra minimizar o risco o controle adequado da pressão arterial, colesterol e glicemia, reeducação alimentar com controle de ingesta de lipídios e carboidratos, pratica de atividade física e cessação de tabagismo”, completa.

O Dr. Marcos Barojas, cardiologista e Diretor de Prevenção Cardiovascular da SBC-BA, dá dicas de como prevenir a doença, pontuando fatores habituais que contribuem para a possibilidade do infarto. Ele sugere três elementos cruciais para a prevenção de infartos: “perna, prato e balança”.

“Nós somos uma população eminentemente sedentária, ainda mais com WhatsApp e Tik Tok. Ser sedentário é um fator de risco. Precisamos desembrulhar menos e descascar mais. Precisamos ter mais acesso a alimentos de melhor qualidade, menor índice de calorias, menor índice de gordura, menos produtos processados, precisamos ter acesso mais a fácil a frutas, verduras e legumes para poder, inclusive, do ponto de vista de investimento público”, explica.

Ele também afirma que, em Salvador e Região Metropolitana, o tratamento de infartos é mais acessível devido a melhor infraestrutura e desenvolvimento socioeconômico. Contudo, alerta para a alta taxa de obesidade na capital baiana, onde metade da população está acima do peso e 21% está obesa.

“A gente entende que na capital por uma questão de economia e de desenvolvimento socioeconômico os cuidados com infarto são melhores”, afirma.

Barojas ainda destaca que o consumo de nicotina é um fator de risco principal para infarto e que a taxa de sucesso na cessação do tabagismo é baixa. Após um ano, apenas 30% das pessoas que tentaram parar de fumar permanecem sem o vício, enquanto 70% retornam ao hábito.

 

 

 

 

 

 

Tribuna da Bahia, 09/08/2024

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