
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fez uma defesa contundente do uso de tecnologia nuclear para fins bélicos pelo Brasil. Silveira comentou o atual momento de tensão no cenário geopolítico mundial e disse que um “país gigante pela própria natureza” precisa se preparar para enfrentar ameaças externas no futuro.
O discurso foi feito na posse dos novos diretores da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, na sexta-feira, 5.
Nós estamos vivendo arroubos internacionais muito graves no mundo, em especial nos últimos tempos. Um país que é gigante pela própria natureza, que tem 11% da água doce do planeta, clima tropical, solo fértil e tantas riquezas minerais, é importante que a gente continue e leve muito a sério a questão nuclear no Brasil, porque, no futuro, nós vamos precisar da nuclear também para a defesa nacional
Na fala, Silveira indicou que uma mudança na Constituição brasileira precisa ser feita, já que hoje, só é permitido o uso da tecnologia para geração de energia e na medicina.
Apesar da intenção, o Brasil nunca desenvolveu armas nucleares. Historiadores ouvidos pela BBC Brasil, informaram que o país deu sinais ao mundo de que estaria aberto, em tese, a desenvolver suas próprias armas nucleares ao não aderir, no final dos anos 1960, ao recém-criado Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.
O domínio brasileiro com este tipo de tecnóloga foi comprovado com um projeto extremamente bem-sucedido conduzido pela Marinha. O objetivo inicial era desenvolver submarinos com propulsão nuclear, mas o projeto civil militar do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e Marinha levou o Brasil a dominar a capacidade de enriquecer urânio através da tecnologia da ultracentrifugação.
Em menos de oito anos, o Brasil passou a dominar essa tecnologia, que é secreta e não pode ser inspecionada por inspetores internacionais. Em 1987 o Brasil anunciou sua capacidade ao mundo.
De acordo com dados do Sipri (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo) – instituto que realiza pesquisas sobre segurança internacional, armamentos e desarmamento – os países que fazem parte do seleto grupo que desenvolveram bombas atômicas são:
- Estados Unidos
- Rússia
- Reino Unido
- China
- França
- Índia
- Paquistão
- Israel
- Coreia do Norte
Fonte: Atarde, 06/09/2025



