
A geração distribuída de energia solar avança no Brasil e já alcançou 7,2 milhões de consumidores, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) com base em informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para uma residência com consumo de até 500 kWh por mês, a instalação de um sistema fotovoltaico exige planejamento financeiro que vai além da compra dos painéis.

Enquanto a energia produzida durante o dia pode ser injetada na rede e gerar créditos para compensar o consumo em outros períodos, o consumidor continua sujeito a cobranças previstas na legislação. Além disso, a transição do Fio B elevou para 60% em 2026 a parcela das componentes tarifárias previstas na Lei 14.300 que incide sobre a energia elétrica compensada para os consumidores enquadrados nessa regra.
Para ingressar no sistema de microgeração distribuída, limitado a 75 kW de potência instalada, o consumidor precisa cumprir etapas formais que incluem a escolha dos equipamentos, o projeto de engenharia e o processo de homologação junto à concessionária de energia local.
O investimento para estruturar uma residência com consumo entre 450 kWh e 500 kWh mensais fica entre R$ 12 mil e R$ 15 mil, englobando a montagem de um painel fotovoltaico com oito a 10 placas.
Com as regras estabelecidas pelo Marco Legal da Geração Distribuída, o uso da rede de distribuição passou a ter cobrança gradual para parte dos consumidores que ingressaram no sistema após o início do regime de transição. A Lei 14.300 estabelece percentuais progressivos sobre determinadas componentes tarifárias da distribuição.
Direito adquirido: unidades existentes ou cuja solicitação de acesso tenha sido protocolada até 7 de janeiro de 2023, observadas as condições previstas na legislação, permanecem submetidas às regras do Sistema de Compensação de Energia Elétrica estabelecidas no período de transição, com proteção prevista até 2045.
Transparência nas despesas operacionais da residência
Mesmo gerando sua própria energia limpa, o proprietário do imóvel mantém obrigações financeiras com a concessionária regional. A fatura pode incluir, entre outros itens, o custo de disponibilidade e a contribuição para o custeio da iluminação pública, além de tributos cuja incidência depende das regras aplicáveis.
A sustentabilidade do projeto no longo prazo também depende da conservação periódica dos equipamentos. A realização de um serviço anual de manutenção preventiva, focado na limpeza das superfícies de captação solar e na vistoria dos inversores, tem custo médio estimado em R$ 240 anuais para um sistema de oito placas, assegurando a máxima eficiência na geração de energia renovável.
Fonte: Correio da Bahia, 03/09/2026



