
Passar longos períodos sentado e manter uma rotina com pouco movimento pode trazer consequências que vão além da perda de condicionamento físico. A falta de atividade pode contribuir para a redução da força muscular, da mobilidade e da capacidade de realizar tarefas cotidianas, além de afetar a saúde dos ossos e das articulações.

A dimensão do problema aparece em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS): cerca de 1,8 bilhão de adultos, aproximadamente 31% da população adulta mundial, não atingem os níveis mínimos recomendados de atividade física. A entidade orienta que adultos pratiquem, ao longo da semana, pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em dois ou mais dias.
Menos movimento pode significar menos força
Os músculos estão entre as estruturas que sentem os efeitos de uma rotina sedentária. Sem estímulos regulares, a força e o condicionamento podem diminuir gradualmente, tornando tarefas como subir escadas, levantar de uma cadeira ou carregar objetos mais difíceis.
A redução da força muscular também pode modificar a maneira como o corpo distribui as cargas durante os movimentos. Quando a musculatura está menos preparada, determinadas estruturas podem ser submetidas a uma demanda maior, o que pode contribuir para desconforto e limitações funcionais.
Fatores como excesso de peso, alterações posturais e lesões anteriores também podem influenciar esse processo. Por isso, manter a musculatura ativa não está relacionado apenas ao desempenho esportivo ou à aparência física. A força muscular é importante para a realização das atividades cotidianas e para a preservação da autonomia ao longo da vida.
O que acontece com as articulações?
As articulações também precisam de movimento para preservar sua funcionalidade. A prática regular de exercícios ajuda a manter a amplitude dos movimentos, enquanto períodos prolongados de inatividade podem contribuir para a rigidez e a redução da mobilidade. Isso não significa, porém, que toda dor articular seja provocada pelo sedentarismo. Doenças reumatológicas, lesões, alterações degenerativas, excesso de peso e outras condições podem estar relacionadas aos sintomas. Quando a dor persiste ou limita as atividades, é importante procurar avaliação médica para investigar a causa.
A recomendação é especialmente relevante para quem já apresenta doenças reumatológicas ou limitações físicas. Nessas situações, a escolha das atividades e a intensidade dos exercícios precisam ser ajustadas às condições de cada pessoa, com orientação profissional quando necessário.
Rotina ativa
Os ossos respondem aos estímulos mecânicos produzidos pelos movimentos do corpo. Atividades que envolvem sustentação do peso corporal e exercícios de fortalecimento muscular podem contribuir para a manutenção da saúde óssea, respeitando as condições individuais. A atenção ganha importância com o envelhecimento, quando a perda de massa e força muscular pode se somar às alterações na estrutura dos ossos. Essa combinação pode comprometer a autonomia e aumentar a vulnerabilidade a quedas e fraturas.
A redução da massa óssea pode levar à osteopenia e à osteoporose, condições diferentes que exigem avaliação e acompanhamento adequados. A falta de atividade física é um dos fatores que merecem atenção, embora a saúde óssea também dependa de aspectos como idade, histórico familiar, alimentação e outras condições de saúde.
Como voltar a se movimentar sem exagerar?
Para quem passa a maior parte do dia sentado ou está há muito tempo sem praticar exercícios, a retomada não precisa começar com atividades intensas. A orientação é aumentar o movimento gradualmente, levando em conta idade, condicionamento físico, histórico de saúde e eventuais limitações.
Caminhadas, exercícios de fortalecimento e atividades voltadas à mobilidade são algumas opções para tornar a rotina mais ativa. Também é possível diminuir o tempo contínuo sentado com mudanças simples, como levantar-se periodicamente durante o expediente, caminhar em trajetos curtos e utilizar escadas quando isso for seguro e apropriado. nO objetivo é encontrar formas de movimento que possam ser mantidas ao longo do tempo. Começar com uma carga excessiva pode dificultar a adaptação, enquanto pequenas mudanças incorporadas à rotina ajudam a reduzir os períodos de inatividade.
“Não é preciso transformar a rotina de um dia para o outro. O mais importante é reduzir o tempo de inatividade e encontrar formas sustentáveis de inserir movimento no cotidiano. Para quem tem dor, doença reumatológica ou alguma limitação, o ideal é buscar orientação profissional para definir o tipo e a intensidade do exercício mais adequado para cada situação e de forma individualizada”, orienta Cláudia Schainberg.
Fonte: por Perla Ribeiro/Correio da Bahia,



