A viagem escancara também a diferença entre a programação que Lula teve nos Estados Unidos, em fevereiro, com a que terá na China. No país comandado por Joe Biden, o petista ficou apenas um dia. Já no gigante asiático, a expectativa é de que ele fique ao menos quatro dias.
Entre os assuntos que devem ser tratados nos encontros estão a invasão russa à Ucrânia, saúde, meio ambiente, indústria e a reforma de fóruns multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU.
Um das integrantes da comitiva será a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, que vai tratar da parceria aeroespacial com o país asiático, cujo interesse também é lançar mais um satélite. O R7 apurou que há intenção, por parte de representantes chineses, de expandir o parque nuclear brasileiro, inclusive com aportes para obras de Angra 3 e a construção de outras usinas.
“A expectativa é de que a gente consiga produzir um novo satélite, pelo estágio em que a gente já tem de desenvolvimento tecnológico do projeto, ainda no governo Lula, e entregar outro satélite dessa constelação”, afirmou ao R7. O foco, segundo a ministra, seria “para a área climática, para o monitoramento da Amazônia”.
Comitiva brasileira
A comitiva brasileira deve ser composta de diversas autoridades, como os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima). A ida de Marina, no entanto, depende da melhora no quadro de saúde. Ela foi internada com sintomas gripais em um hospital de Brasília na segunda-feira (13).
Lula também convidou os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respectivamente.
Apesar das discussões voltadas para a área industrial, o vice-presidente e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, não deve acompanhar o grupo, uma vez que vai substituir Lula na Presidência durante a ausência do petista no Brasil.
Como o R7 mostrou, as sabatinas fazem parte do processo de nomeação da petista para o cargo. Os ministros desses países fazem parte do Conselho de Governadores do NDB, responsável pela designação do presidente da instituição, baseada em Xangai, na China.
O banco informou na última semana que iniciou o processo de transição do comando da instituição. “O presidente do NDB, Marcos Troyjo, deixará o cargo até 24 de março de 2023. A Assembleia de Governadores elegerá então um novo presidente, indicado pelo Brasil, para cumprir o mandato rotativo, que expira em 6 de julho de 2025”, disse, em comunicado.
A eventual indicação de Dilma é criticada por diversos economistas, entre eles o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Em entrevista ao R7, em fevereiro, ele disse que a petista não é a pessoa mais adequada para assumir o banco dos Brics.