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Arrastão da Quarta de Cinzas reúne trabalhadores e ‘inimigos do fim

O relógio marcava 10h, e as nuvens pareciam anunciar chuva no Farol da Barra, na manhã desta quarta-feira (18). Os foliões, no entanto, formaram uma concentração em frente ao Edifício Oceania, onde fica o Camarote Expresso 2222, para se despedir do Carnaval de Salvador 2026. Era o início do tradicional Arrastão da Quarta-Feira de Cinzas, festa que marca o encerramento da folia soteropolitana. Os artistas Carlinhos Brown, Leo Santana, Tony Salles, Edcity e Danniel Vieira comandaram a festa.

Após o padê, Brown rezou, ao lado da multidão, um pai-nosso e uma ave-maria. “A alegria é a manutenção da vida. Vamos nos amar”, disse o multiartista baiano. Além disso, o artista fez um apelo por mais atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade e destacou a importância de valorizar professores e garantir respeito à população LGBT, além de defender o diálogo sobre os rumos do Carnaval, incluindo a possibilidade de um novo circuito para a folia.
Arrastão 2026 por Arrison Marinho/CORREIO
Arrastão da Quarta de Cinzas
“É muito difícil fazer tudo isso que foi feito, e muitas vezes a gente critica a política, mas, quando a felicidade chega, a gente não sabe o que fazer. O Carnaval da Bahia cresceu assustadoramente, e nós precisamos compreender quando as lideranças dizem que precisam de espaço e de novos circuitos”, afirmou Brown, durante o breve discurso.

A foliona Glades Oliveira marcou presença no arrastão e mostrou que, para ela, Carnaval é coisa séria. Aos 47 anos, a podóloga, que nasceu na cidade, morou fora e hoje está de volta às origens, curtiu a Superterça do Campo Grande até as 2h. Voltou para casa mais cedo do que nos dias anteriores justamente para aproveitar o Arrastão da Quarta-Feira de Cinzas.

“Carnaval é amor, é vida.” E ela faz jus ao discurso. Curte tudo: pipoca, camarote, bloco, trio e, claro, o arrastão. Para ela, participar é tradição, e o evento já está entre os melhores dias do ano. Usando o abadá de um camarote, a foliona brincou: “Pagou, tem que usar… tem que aproveitar!”

O arrastão foi criado especialmente para os trabalhadores que se dedicam apenas ao trabalho durante os seis dias de festa oficial. No circuito, aliás, muitos deles marcaram presença. É o caso de Patrícia Santos, que não abriu mão de viver seu momento de folia. Aos 50 anos, Patrícia trabalhou a semana inteira no restaurante “Vem Quem Guenta”, na Federação, preparando e vendendo delícias como feijoada e mocotó para dar conta da demanda dos dias de festa.

Enquanto muitos estavam curtindo os blocos, ela estava firme no batente. Mas a Quarta-Feira de Cinzas é sagrada. O arrastão, pensado especialmente para quem trabalhou durante a folia, é o dia reservado para ela aproveitar. “Trabalhei a semana toda. E agora, é hora de descansar? Que nada. É hora de dançar, sorrir e aproveitar cada minuto do arrastão”, contou.

A festa ainda contou com apresentações das bandas Filhos de Jorge, Guig Ghetto e Pagodart, além dos cantores Diggo e Vinny Nogueira, que foram convidados por Léo Santana.

 

 

 

 

 

 

Correio/BA, 18/02/2026

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