
O presidente deixou o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, após quatro dias de internação por conta de uma obstrução intestinal. Ele se encontrou com apoiadores na saída e falou com jornalistas por cerca de 30 minutos, disparando várias críticas e defesas.
As vacinas foram oferecidas por cerca de três vezes o preço do mesmo imunizante fabricado pelo Instituto Butantan, no Brasil. O acordo acabou não prosperando. Pazuello afirma que só cumprimentou os representantes da empresa, mas não negociou.
“Se eu estivesse na Saúde, eu teria apertado a mão daqueles caras todos”, disse Bolsonaro, argumentando que Pazuello estava sem paletó e não estava à mesa no vídeo divulgado, o que mostraria que não houve negociação alguma com a participação do então ministro. “Não tem como você fraudar no nosso governo”, garantiu.
O presidente ressaltou que sempre impôs ao Ministério da Saúde duas condições para comprar vacinas: passar pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e só pagar depois que chegar. “Nosso governo não gastou um centavo com picareta, nenhum. Parabéns Pazuello, parabéns coronel Elcio.”
No caso da vacina indiana Covaxin, o governo acertou a compra mesmo sem aprovação da Anvisa – que só concedeu autorização de uso emergencial meses depois e mesmo assim restrita. O contrato de R$ 1,6 bilhão, suspenso pelo governo, é algo de investigações de diversos órgãos e da CPI da Covid. O valor foi empenhado – reservado para a despesa.
Bolsonaro afirmou que pretende pedir ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, estudos sobre o uso da proxalutaminda, utilizada em tratamentos contra câncer de próstata. O presidente já defendeu em diferentes oportunidades ao longo da pandemia o uso do tratamento precoce. Parte das substâncias indicadas, como a cloroquina, são consideradas ineficazes pela comunidade científica internacional. Outras, como a ivermectina, ainda são alvo de estudos após alguns resultados positivos.
O presidente sinalizou que pode vetar o fundo eleitoral de cerca de R$ 6 bilhões para as eleições 2022, aprovado na quinta-feira (15) pelo Congresso Nacional, dentro da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
“Eu sigo a minha consciência, sigo a economia e a gente vai buscar um bom sinal para isso tudo aí. Afinal de contas, eu já antecipo, R$ 6 bi pra fundo eleitoral, para financiamento de campanhas, pelo amor de Deus”, afirmou.
Bolsonaro voltou a defender o que chama de voto impresso auditável, repetindo críticas ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, dizendo ainda que a apuração da votação tem que ser pública.
Argumentando em favor da liberdade de expressão, o presidente criticou investigações sobre atos antidemocráticos e “fake news”. “Não dá pra gente conviver num país democrático com pessoas sendo presas e processadas por fake news e atos antidemocráticos”, disse.
“Eu respeito integralmente a Constituição… tem gente sendo processada porque levantou faixinha com o artigo 142… eu respeito o artigo 1º da Constituição, o artigo 2º, o 10º, o 100º e o 142 também, isso é crime?”
O artigo 142 da Constituição diz que as Forças Armadas “são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos Poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. De maneira recorrente, algumas pessoas defendem a interpretação, errada, de que, com base neste artigo, as Forças Armadas funcionariam como um Poder Moderador.
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Questionado se a reunião que ocorreria na quarta-feira passada com os presidentes do STF, Luiz Fux, do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), seria retomada, Bolsonaro disse acreditar que sim, mas ressalvou que, como ele escolhe seus próprios ministros, é o único dos chefes dos Poderes que não têm problemas.
“Com toda certeza… não tem nada de anormal essas reuniões nossas, é acertar alguma coisa, trocar uma ideia”, disse.
A reunião de quarta, desmarcada devido ao problema de saúde de Bolsonaro, foi marcada depois que o presidente chegou a colocar em dúvida a realização das eleições marcadas para 2022.



