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‘Cada um em seu quadrado’: facção proíbe a circulação de moradores entre cidades vizinhas

Suposto comunicado do BDM proíbe moradores de cricular entre cidades

Suposto comunicado do BDM proíbe moradores de cricular entre cidades Crédito: Reprodução

A expansão do crime organizado instalou um clima de tensão em pelo menos duas cidades na região do Recôncavo Baiano. Um suposto comunicado do Bonde do Maluco (BDM) proíbe que moradores de Cachoeiras circulem em São Félix e vice-versa. O card, compartilhado em redes sociais, diz que, a partir desta terça-feira (30/09), é “cada um em seu quadrado”.

Segundo outros moradores, o suposto aviso foi compartilhado, após os tiros disparados nas proximidades da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB), no centro de Cachoeira, na segunda-feira (29). “Foi entre 18h e 19h, um horário de intenso movimento, uma correria”, conta a fonte.

Ainda na terça, um “toque de recolher” foi instalado na cidade. “O comércio foi suspenso. Começou às 18h. Ninguém sabe como começou, mas quem tinha seu negócio, não quis pagar para ver e fechou. Também à noite, as aulas na universidade foram suspensas”, declara outra moradora.

O CORREIO entrou em contato com Polícia Civil, Polícia Militar, UFRB, mas até agora não teve resposta.

Leia na íntegra a nota pública 

NOTA PÚBLICA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL DO CAHL/UFRB SUSPENSÃO DAS ATIVIDADES (1 A 3 DE OUTUBRO) ESTUDANTIL DO CAHL/UFRB

A Classe Estudantil organizada do Centro de Artes, Humanidades e Letras – CAHL, na busca por resguardar a integridade física e a vida de sua comunidade acadêmica, principalmente a nós estudantes mas também à classe trabalhadora dos funcionários terceirizados que não possui, infelizmente, direito à participação e representação em espaços colegiados de nossa universidade. Declaramos SUSPENSA todas as atividades acadêmicas do CAHL/UFRB durante o período de 1 a 3 de outubro de 2025, respectivamente quarta, quinta e sexta-feira, em todos os 3 turnos (matutino, vespertino e noturno) como medida de proteção.

Esta decisão se respalda pelo direito à auto-organização da classe e acima de tudo, o bem estar e evitar potenciais fatalidades. O CAHL não possui as condições objetivas de proteção adequadas, não possui estrutura para os primeiros socorros – uma estrutura semelhante a uma enfermagem – e diversas vezes não pode fazer o devido socorro, precisando que membros isoladamente da sua comunidade acadêmica fizessem o deslocamento de pessoas que já passaram mal ou tiveram alguma situação de risco ou insegurança. Além do próprio município somente contar com a Santa Casa de Misericórdia que já enfrenta complexidade no atendimento e que a depender da gravidade, não terá condições de atender adequadamente uma vítima deste conflito.

Registramos também que fomos surpreendidos com a Nota Pública do Comitê de Crise, da qual explicitamente fez o impensável, negando a continuação da crise que se instala no território, requisitando que tudo retorne a funcionar normalmente, como se tudo que estamos vivendo já fosse de alguma maneira superado, ou que somente fossem tomar providências caso alguma situação mais dramática de risco transcorresse. A maioria da comunidade estudantil é baixa-renda, oriunda das classe trabalhadora, e não dispõem de recursos para uma emergência e muito menos plano de saúde para cobrir “sinistros”, tão pouco possui veículo automotivo próprio, desta maneira, a diferença de viver ou morrer é a prevenção, muitas vezes nosso único recurso de resguardar nossas vidas é evitar riscos.

Administração

, seja de colegiado, direção ou reitoria não pode ter o poder de decidir se as atividades acadêmicas estão acima de nossa segurança. Registramos também que situações particulares e meramente burocráticas, feriados etc, aulas já foram e são suspensas, nos admira que uma guerra de facções seja considerada uma “não-crise” da qual não há nenhuma prova ou comunicado até o presente momento dos órgãos do estado informando que a situação está controlada ou que retornamos à normalidade. Informamos que qualquer decisão administrativa que mantenha as atividades estará ferindo uma decisão da classe estudantil e se responsabilizará sobre qualquer risco ou eventualidade contra a comunidade acadêmica, por ignorar o contexto da qual estamos vivendo. A mesma sensibilidade que se teve diante do período da pandemia sobre o respeito à vida deve prevalecer sobre a burocracia e a realização de atividades acadêmicas. Valor este também que representa um elemento básico da Democracia, que é a defesa à vida e a segurança do povo.

Portanto, nos posicionamos na necessidade de um diálogo urgente com a empresa responsável para que se faça um reajuste na dinâmica de funcionamento. Dentro disso, apresentamos duas sugestões: o reajuste no horário do jantar, que se faça das 15h até as 16h30; ou que se faça a distribuição de marmitas, para que os estudantes possam pegar a comida e se dirijam até suas casas com maior a maior brevidade possível.

Por fim, é fundamental que todas e todos que se atentem aos horários e locais de risco e se mantenham seguros, na medida do possível. Reiteramos nosso compromisso com a comunidade acadêmica: não aceitaremos e não iremos colocar nossas vidas em risco em prol da normalidade institucional.

Recôncavo da Bahia, 01 de Outubro de 2025>

Movimento Estudantil do CAH

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Por Bruno Wendel/Correio da Bahia,

Publicado em 2 de outubro de 2025 às 15:16

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