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Carro debaixo d’água, ruas alagadas e congestionamentos: o saldo da chuva em Salvador

A chuva que começou na madrugada e seguiu no início da manhã desta quarta-feira (7) em Salvador fez a capital chegar a um acumulado de 80mm de precipitação em 24h, de acordo com a Defesa Civil (Codesal). Em alguns pontos, houve registro de 40mm em apenas uma hora. Os picos de chuva resultaram em uma manhã de ocorrências, congestionamentos no trânsito e ruas alagadas em diferentes pontos da cidade.

Segundo o boletim da Codesal, houve ao menos 37 deslizamentos de terra. Na Av. Gal Costa, por exemplo, a lama invadiu a pista e atrasou o trajeto no sentido BR-324. Na Rua Nilo Peçanha, na Baixa do Fiscal, de acordo com informações da Transalvador, o trânsito de veículos ficou parado nos dois sentidos pouco antes das 7h. Tanto é que um veículo chegou a ficar debaixo d’água.

A motorista que quase ficou presa no veículo no meio do alagamento conversou com a reportagem. “Vim sentido Largo do Tanque, mas lá atrás tinha água e o carro passava. Quando chegou nesse ponto, o carro desceu e alagou tudo. Eu fiquei desesperada, tive que deixar o carro porque parecia que ia cobrir tudo e saí com a água na cintura”, fala sem se identificar. Na mesma via, outros motoristas chegaram a perder placas ao tentar passar na água.

Jailson Batista, 45 anos, é borracheiro e mora na Baixa do Fiscal. Ele ajudou a motorista deixar o veículo e explica que o problema de alagamento na rua é constante. “Eu que tirei ela de lá de dentro. O carro ficou igual a uma canoa, boiando. [Aqui] não tem salvação. Caiu água aí, já era. Dizem que isso aqui está de muitos anos e quando a maré está cheia, não dá vazão e enche assim”, afirma o borracheiro.

Chuva alagou Baixa do Fiscal e Calçada (Foto: Reprodução)
A Transalvador apontou também o Largo da Calçada como uma área com transtornos. Na Rua Fernando Vieira, que dá acesso ao atacadista Assaí da Calçada, os carros formaram fila para não enfrentar o alagamento e acabar ilhados na água. o motorista José Nery, 55, foi um dos que preferiram esperar. “Em 2019, o motor desse carro já foi aberto por causa de água mesmo, e eu não quero que aconteça de novo. Fique 40 minutos esperando”, diz.

As avenidas Bonocô e Paralela nos dois sentidos, a Trobogy no sentido Av. Mário Sérgio e o Largo de Roma foram outros pontos que apresentaram lentidão e engarrafamento ao longo do manhã, de acordo com a Transalvador.

Casas alagadas
Os boletins da Codesal também apontam 25 imóveis que foram invadidos pela água por conta das chuvas. Seis deles na região de monitoramento de Itapuã, que compreende o bairro Parque de São Cristóvão. Por lá, na localidade de Bate Coração, o rio subiu, inundou as ruas e água entrou em casas mais próximas à sua margem. Moradores afirmaram que a ocorrência se repete em toda chuva.

“A área do rio não é grande e as casas daqui ficam muito próximas. Quando a chuva mais forte, é sempre a mesma coisa: o rio sobe, chega nas ruas e, depois, dentro das casas do povo. Tanto que todo mundo aqui tem batente alto para evitar perde os móveis e eletrodomésticos. É sufoco e dessa vez foi de novo. Só não perde tanta coisa porque já sabemos”, fala sem se identificar.

Na Primeira Travessa José Araújo, em Itapuã, a água inundou a rua ainda na madrugada. O alagamento também é comum quando chove no local e, dessa vez, a água não invadiu as casas, mas deixou os moradores em alerta, como conta a dona de casa Diana Gomes, 37. “Foi muita chuva, alagou a rua toda e, por pouco, não entrou na nossa casa. Porém, ainda assim, gerou problema. Eu vinha para o médico de manhã cedo, mas não consegui sair. Era pra eu estar no hospital às 7h e só vou conseguir chegar às 10h para aventurar se acho vaga”, fala Diana.

Diana precisou esperar água baixar para sair (Foto: Paula Fróes/CORREIO)

Morador da mesma rua, Gerson Miro Rodrigues conta que, apesar de não ter alagado por lá, as casas da rua de trás não tiveram a mesma sorte. “Aqui encheu e deu aqueles problemas. Ninguém sai, ninguém entra. Já acaba o nosso dia, mas aqui atrás perto do rio foi pior. Dessa vez, deu pra respirar aliviado porque em outras perdi rádio, sofá e outros itens”, relata ele.

A Codesal informou que as chuvas são causadas por um sistema de baixa pressão e devem continuar ao menos até a madrugada de sexta para sábado em Salvador.

Balanço
Até as 20h desta quarta-feira, constavam no boletim disponível no site da Defesa Civil 244 solicitações enviadas por moradores da capital baiana. Dessas, destacavam-se os deslizamentos de terra (53), as ameaças de desabamento (48) e as avaliações de imóveis alagados (40). As localidades mais afetadas foram Cabula/Tancredo Neves (46), Pau da Lima (44) e Liberdade (43).

 

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