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Cemitério Santo Antônio em Porto Velho, começa a ficar sem espaço para novas covas

Nenhum cemitério do mundo estava preparado para a explosão de mortes que a Covid-19 acabou trazendo. No Cemitério público Santo Antônio, em Porto Velho, a situação não é diferente, o pouco espaço para novas covas e os protocolos de sepultamentos para as vítimas do novo Coronavírus mudou a rotina dos coveiros no local. De repente eles passaram a trabalhar na linha de frente a pandemia.

Sepultamentos

Outra mudança significativa ocorreu na rotina de despedida em sepultamentos não é mais a mesma, devido aos perigos de contaminação do vírus. De acordo com o Diretor do cemitério de Santo Antônio, Giberson Morais, uma das maiores dificuldades é fazer a família entender sobre os perigos de infecção.

“Os sepultamentos estão acontecendo, mas não é aquele tradicional que pode abrir a tampa do caixão para que a família pudesse se ver naquele último momento e fazer suas orações, isso já não acontece mais com a Covid-19. O corpo chegou e damos um tempo para uma oração rápida para a família que está distante para se despedir e fazer o sepultamento”, disse.

Antes da pandemia, o Cemitério do Santo Antônio tinha uma estimativa anual de 1.500 a 1.600 sepultamentos, com a chegada do vírus em 2020, o local passou a realizar 2.570 sepultamentos. Desse número 777 enterros foram de vítimas da Covid-19.

No pico da pandemia no mês de junho o Cemitério Santo Antônio chegou a realizar 604 sepultamentos, sendo 208 de vítimas do vírus. No mesmo mês de 2019 foram 272 enterros no total.

“A exigência é que o Cemitério tem que ter um espaço só para a Covid. A família pode ter suas gavetas, porém quando falece por causa do vírus é direcionado para o espaço exclusivo para isso”, disse.

O diretor também afirmou que em algumas ocasiões, família às vezes tenta burlar a divulgação da doença para que a pessoa seja enterrada com os familiares. “Porém já estamos informatizados, através da Central de Óbitos já sabemos a causa da morte. Infelizmente não podemos fazer nada, só podemos direcionar o sepultamento de Covid na área já reservada. A esperança é que futuramente possa ser desenterrada e transferida para o local da família”, disse o Diretor.

Até o momento, afirmou ele, o cemitério Santo Antônio tem espaço para poder atender, porém não consegue atender a mesma demanda da primeira onda da pandemia. “Já foi feito um levantamento técnico da Secretaria Semusb que é a responsável pelo cemitério, já foi conferiado e estão em fase de solução para um novo cemitério. Porém ainda não foi decidido. Não tem mais para onde expandir o Cemitério Santo Antônio, nas laterais são proprietários que podem questionar, nos fundos são barrancos. As sepulturas verticais podem ser uma possibilidade para um novo cemitério”, disse.

O Diretor explicou que serão realizadas três audiências públicas para o encaminhamento de uma licitação para um novo cemitério. “Ainda conseguimos atender no Santo Antônio, mas não podemos dizer que estamos no controle porque não sabemos ainda o que que pode acontecer. Foi todo mundo pego de surpresa. Veja o exemplo de Manaus no Amazonas. O cemitério de lá é enorme e mesmo assim de atender a demanda porque o número de mortes foi muito alto”, lembrou.

Leomir Góes que trabalha há 14 anos como coveiro no cemitério Santo Antônio contou que essa é a primeira vez que presencia essa quantidade de enterros diários. “É doloroso acompanhar o enterro de Covid. A família só se despede do parente quanto interna e não tem mais contato e quando chega aqui não pode abrir não pode chegar perto é bem complicado. Mas temos que sepultar conforme o protocolo indicado pelo Ministério da Saúde. As pessoas que estão na rua não têm consciência desse vírus, porém todos os dias tem enterro da doença aqui, hoje já teve um enterro de Covid e já estamos esperando outro”, frisou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Diário do Amazonas, 16/01/2021

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