
Até 2018, quando começou a valer a cláusula de barreira, a exigência de votação mínima em nove estados, fazer partido era um negoção. Assim que a papelada saía do cartório, sem disputar um voto sequer, já saía ganhando R$ 1 milhão por ano. Resultado: o Brasil chegou a 35, sem contar outros em andamento.
Além da grana do fundo partidário, eles ganhavam outro bem negociável, tempo de rádio e tevê no horário eleitoral gratuito. Era uma moeda de troca poderosa num tempo em que o modelo midiático de plena força era a televisão com o seu famoso ‘horário eleitoral gratuito’.
A farra acabou, em parte. Sobreviveram 15 partidos a 2018, mas alguns deles têm figuras que mais parecem donos, um modelo muito ruim. Fica difícil para qualquer governante se entender com tanto líder.
Dinastia — Esse caso, o do excesso de partidos, ainda está mal resolvido, mas ano que vem tem eleição, e a Câmara lá aprovou um salto de R$ 1,7 bilhão do ano passado para R$ 6 bilhões ano que vem.
Óbvio, empodera os partidos. Simultaneamente cria-se o Distritão, e o deputado endinheirado vai correr atrás de voto com enorme vantagem. Não cheira bem.
Hoje, o pessoal de ACM Neto, presidente nacional do DEM, queixa-se da ingratidão de Eduardo Paes, prefeito do Rio, que em 2018 recebeu R$ 13 milhões do partido e agora o abandonou. Não sabe o que perdeu.
Fonte: Atarde, 17/07/2021



