ESPORTEMUNDONOTÍCIAS

Como a pressão pode derrubar uma supercampeã; Simone Biles, a maior ginasta americana da história

Com apenas 24 anos, Simone Biles é considerada a maior ginasta americana da história. Nesta terça-feira (27), durante a final por equipes de ginástica olímpica na Olimpíada de Tóquio, ela se retirou da competição por “razões médicas”. Mais tarde, Biles revelou que precisava se concentrar em sua saúde mental no momento.

Antes de desistir da competição, Biles chegou a se apresentar em grupo e marcou 13.766 — uma nota considerada muito baixa para seus padrões.

“Preciso me concentrar no meu bem-estar, há vida além da ginástica. Infelizmente aconteceu nesse palco. Esses Jogos Olímpicos têm sido muito estressantes… Uma longa semana, um longo ciclo olímpico e um longo ano”, disse Biles na coletiva de imprensa após a competição afastando boatos de que ela havia se machucado nos saltos.

Atualmente, Biles é quatro vezes medalhista de ouro nas Olimpíadas e a ginasta mais vitoriosa na história dos Estados Unidos em campeonatos mundiais.

Após a saída de Biles da competição, a Confederação de Ginástica dos Estados se pronunciou em nota afirmando que Simone Biles havia se retirado da competição final por equipes devido a um problema médico.

“Ela será avaliada diariamente para determinar a liberação médica para competições futuras”, afirmou a Confederação.

Biles ainda participa do individual geral, na próxima quinta-feira (29). Além disso, a ginasta está classificada para todas as finais de aparelhos.

Nesta reportagem, especialistas ouvidos pelo G1 explicam até que ponto a pressão é um fator motivador e como identificar os principais sinais de exaustão mental.

1. A pressão é ruim para o desenvolvimento humano?

Não. Segundo Daniel Barros, psiquiatra, não é a pressão que faz mal, mas sim a intensidade como essa pressão se manifesta, seja em atletas ou não-atletas.

“O problema não é a pressão em si, mas sua intensidade. A gente precisa da pressão para ter resultado. Caso contrário, a gente não performa em nada, seja no esporte ou no trabalho”, explica Barros.

Segundo ele, a própria motivação é uma tipo de pressão. O que acontece é que as pessoas, de modo geral, passaram a ver pressão e motivação como fatores distintos, sendo um positivo e o outro negativo, mas não é o caso.

2. No esporte, a pressão é um fator constante?

Sim. De acordo com Henrique Bottura, psiquiatra diretor clínico do Instituto de Psiquiatria Paulista. Mestre em psicologia do Esporte pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), o esporte é competitivo por si só, o que torna a pressão uma condição de aperfeiçoamento constante.

3. Por que é difícil dosar a intensidade da pressão nos esportes?

De acordo com Barros, em um ambiente esportivo não é possível dosar a pressão sobre os atletas, seja uma pressão interna ou externa, porque há uma competição constante para que um se prove melhor que o outro.

“No caso das Olimpíadas, por exemplo, são todos excelentes atletas competindo por um mesmo lugar no pódio. Um atleta sempre vai querer ir um pouco mais além do seu próprio limite para ganhar uma medalha. E é aí que pode estar o problema”, explica Barros.

Por isso, Bottura fala da importância da autopercepção no reconhecimento da pressão externa e interna.

É importante ter essa percepção porque, às vezes, você está em um ambiente que exige muito mais de você do que você pode dar – e isso pode acontecer tanto em uma competição de alto rendimento como no seu trabalho”, diz Bottura.

4. Quais são os sinais de que a pressão está me fazendo mal?

Durante a coletiva de imprensa, Biles revelou que estava muito estressada, a ponto de o sentimento impedir que ela sentisse prazer em estar na competição.

“Acho que estamos todos muito estressados. Deveríamos estar nos divertindo e esse não é o caso”, afirmou Biles.

De acordo com Christian Dunker, psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), o primeiro sinal de que algo está errado é quando o indivíduo não consegue mais se divertir fazendo algo que, antes, sentia muita satisfação.

“Quando não há mais satisfação é o momento, seja no trabalho ou no esporte, para se pensar”, diz Dunker.

Entretanto, os reflexos da pressão exacerbada também podem se manifestar através de sintomas físicos ou psíquicos, como: alterações no sono e no apetite, cansaço extremo, explosões de raiva, disfunções sexuais, entre outros.

Fonte: G1, 27/07/2021

Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

18 − 17 =

Botão Voltar ao topo