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“É obrigação moral”, diz infectologista Valéria Paes, sobre jovens ficarem em casa

Após a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertar para o colapso sanitário e hospitalar no Brasil causado pela pandemia da covid-19, a infectologista e professora da Universidade de Brasília (UnB), Valéria Paes, criticou as festas clandestinas e analisou o cenário da pandemia no Distrito Federal. Em entrevista ao CB.Saúde, parceria da TV Brasília com o Correio Braziliense, desta quinta-feira (18/3), ela comentou sobre o aumento de casos entre os mais jovens e sugeriu prioridade na vacinação em massa no DF.

“Me preocupa muito as pessoas que trabalham de forma autônoma, nas ruas, e dependem do trabalho para o próprio sustento. Quem pode ficar em casa, tem a possibilidade de aderir às medidas de prevenção. É uma obrigação moral. Se a pessoa precisar sair de casa para o próprio sustento, que ela use álcool em gel para limpar as mãos. É por isso que fico muito triste quando vejo uma festa clandestina, porque acho um desrespeito com as pessoas que precisam sair de casa para trabalhar”, critica.

No início do mês, em 8 de março, a taxa de transmissão da covid-19 chegou a 1,38 no DF, o que significa que 100 pessoas contaminadas transmitem a covid-19 para outras 138. Segundo o último Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde (SES-DF), divulgado na quarta-feira (17/3), o Distrito Federal está com uma taxa em 1,2, mas ainda com UTIs com ocupação em quase 100%.

“Chegamos no pior momento da pandemia no nosso país. Já temos um sistema de saúde cronicamente sobrecarregado, demandas por vagas de UTI, mesmo antes da pandemia. Juntando com a pandemia, tivemos um aumento significativo de pacientes com esse tipo de cuidado. É uma preocupação muito grande, porque ainda temos uma alta taxa de transmissão. Quanto mais pacientes infectados, mais vão evoluir para uma forma grave e precisarão de vagas de UTI. Nosso objetivo é que essa taxa fique abaixo de 1. Se isso diminuir progressivamente, conseguimos reduzir o número de casos”, afirma Valéria.

Fonte: Correio Braziliense, 18/03/2021
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