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Fim de trégua entre “PCC” e “CV” provoca violência e deixa 7 mortos em Ipiaú

O rompimento de um acordo entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) teria sido o estopim para uma onda de violência registrada em Ipiaú, no sul da Bahia. Em pouco mais de 48 horas, pelo menos sete pessoas foram assassinadas no município, entre a noite de sexta-feira (16) e o domingo (18). A maioria das vítimas foi executada dentro de casa.

Embora a Polícia Militar tenha informado inicialmente que os crimes estariam relacionados a uma briga interna de um grupo criminoso, moradores e agentes das forças de segurança que atuam na região contestam essa versão. Segundo relatos, Ipiaú é considerada majoritariamente território do PCC, enquanto o bairro Santa Rita é apontado como área sob influência do CV.

Informações obtidas por investigadores indicam que as duas facções haviam firmado uma trégua após operações policiais realizadas na cidade e em outros municípios baianos, como Porto Seguro, onde ações anteriores desarticularam esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado. O objetivo do acordo seria reduzir confrontos e evitar novas investidas da Secretaria da Segurança Pública da Bahia.

No entanto, essa trégua teria sido quebrada há cerca de um mês. De acordo com uma fonte policial, um grupo ligado ao PCC teria adquirido drogas de uma facção associada ao CV, o que teria sido interpretado como uma traição. “Para eles, isso é imperdoável. A punição é a morte”, afirmou um agente, sob condição de anonimato.

Ainda segundo as investigações, ordens atribuídas ao PCC estariam partindo de alas da facção no Conjunto Penal de Jequié. Já as determinações do CV seriam repassadas a partir de um presídio em Santa Catarina, onde estaria custodiado um dos líderes do grupo, conhecido como “Juca Playboy”.

Mesmo com o reforço do policiamento, o clima é de medo entre os moradores. Há relatos da presença de pessoas de fora da cidade, supostamente vindas de outros estados, para atuar no confronto entre as facções.

Mortes

O primeiro homicídio foi registrado na sexta-feira (16), por volta das 21h30, na Rua Dr. Prevenildo, no bairro Euclides Neto. Nerivaldo Santos Damascena Barbosa, de 20 anos, conhecido como “Luizinho”, foi baleado a poucos metros de casa.

Na madrugada de sábado (17), Valmir Santos da Cruz, de 35 anos, o “Sapo”, foi executado após criminosos invadirem sua residência na Avenida João Durval Carneiro, no bairro Santana. Ainda no sábado à noite, Gentil Fróis de Oliveira, de 36 anos, o “Bode”, foi morto a tiros dentro de casa, na região central da cidade.

A sequência de crimes seguiu na madrugada de domingo (18). Vinícius Costa da Silva, de 26 anos, conhecido como “Vini”, foi executado dentro do próprio quarto após a invasão de homens armados em sua residência, no bairro Euclides Neto. Pouco depois, Iago Lima dos Santos, de 20 anos, foi morto nas proximidades de um bar, na Praça de Eventos Álvaro Jardim.

Durante a tarde, Edmarques Batista dos Santos, de 26 anos, o “Gaso”, foi assassinado a tiros no bairro Dois de Dezembro. Já à noite, um adolescente de 15 anos, identificado como Ítalo, foi perseguido e morto dentro da casa de um vizinho, novamente no bairro Euclides Neto.

Os crimes seguem sob investigação, e as forças de segurança mantêm operações na cidade.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Informe baiano, 19/01/2026
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