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‘Ice’, o ‘crack de rico’, entra na mira da polícia no Carnaval de Salvador

Mais potente e altamente viciante, o “ice”, conhecido como “crack de rico”, é uma das drogas sintéticas que vêm ganhando espaço em festas privadas no Brasil. Apontado como o “queridinho” de parte da classe média e alta, o entorpecente é a forma cristalina da metanfetamina. Antes importada, a substância também passou a ser produzida no país e é comercializada por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. No Carnaval de Salvador, a droga está no radar da Polícia Civil, que contará com agentes infiltrados em blocos e camarotes.

O “ice” é a metanfetamina em sua forma cristalina, produzida em laboratórios clandestinos. Trata-se de um estimulante potente do sistema nervoso central, com alto potencial de dependência. Segundo o delegado, o preço também chama atenção. “Para se ter uma ideia, a grama da cocaína custa em média R$ 50. Já a mesma quantidade de ‘ice’ é vendida a partir de R$ 120”, disse.

A metanfetamina aumenta o estado de alerta, a energia e a euforia, reduz o sono e o apetite e pode provocar taquicardia e elevação da pressão arterial. As denominações “ice” ou “cristal” fazem referência ao aspecto do cloridrato de metanfetamina, que, quando puro, se assemelha a pequenos cristais de gelo.

O primeiro registro da substância pela Polícia Civil na Bahia ocorreu no Carnaval de 2024. “Fizemos apreensões de pequenas quantidades e passamos a estudar melhor a droga. Essas substâncias são mais utilizadas por um público mais seleto”, explicou o delegado.

Drogas sintéticas: policiais estarão infiltrados nos camarotes e blocos

Drogas sintéticas: policiais estarão infiltrados nos camarotes e blocos Crédito: Reprodução

A Polícia Civil também apura o possível envolvimento de organizações criminosas na distribuição dessas drogas. “Estamos investigando a qual facção esses grupos podem estar vinculados. Sabemos que há conexões não apenas na Bahia, mas também fora do estado, já que essas drogas sintéticas são muito utilizadas em raves”, pontuou.

As mais consumidas

Segundo a polícia, as drogas sintéticas lideram as apreensões nos circuitos da festa.

“Antigamente eram mais comuns o loló e o lança-perfume. Hoje observamos maior circulação de sintéticos, como LSD. As metanfetaminas são oferecidas a um público mais jovem e mais seleto, por serem drogas mais caras”, explicou o delegado.

Delegado Ernandes Júnior, diretor do Denarc

Delegado Ernandes Júnior, diretor do Denarc Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

“A apreensão representa um prejuízo estimado em R$ 200 mil ao tráfico, com indícios de que o material seria comercializado durante o Carnaval de Salvador”, afirmou Ernandes Júnior.

As investigações tiveram início após compartilhamento de informações entre o Denarc e a Delegacia Territorial de Presidente Dutra, vinculada à 14ª Coorpin/Irecê, a partir de denúncia sobre a atividade criminosa.

Uma das estratégias adotadas por traficantes é misturar LSD a produtos como doces para dificultar a identificação da droga. Segundo o delegado, além de jujubas, já foram apreendidos pirulitos contendo a substância.

Apesar das barreiras policiais nos acessos aos circuitos, o tráfico também é monitorado no entorno da festa. “Durante o Carnaval, intensificamos as operações. O Denarc atua de forma velada. Só na Barra, são 150 policiais empregados para monitorar pontos de venda e realizar ações de inteligência integradas”, finalizou o diretor.

O farmacêutico bioquímico e especialista em saúde pública Matheus Marques alerta para os riscos associados ao consumo dessas substâncias.

“Muitas pessoas utilizam drogas acreditando que estão intensificando a diversão, aumentando a resistência física ou reduzindo o sono. O problema é que, além dos efeitos próprios das substâncias, elas são produzidas de forma ilegal, sem controle sanitário, podendo conter impurezas e contaminantes”, explica. Segundo ele, já houve registros de entorpecentes adulterados com fragmentos de vidro e outras substâncias nocivas.

No caso do “ice”, o especialista afirma que o usuário pode apresentar agitação extrema, agressividade, surtos psicóticos e paranoia, além de alterações no ritmo cardíaco, como arritmias. “Se a pessoa já tiver comorbidades como hipertensão, diabetes ou dislipidemia, o risco de infarto, AVC e até morte súbita aumenta, especialmente se houver associação com outros estimulantes, como cafeína e taurina, presentes em energéticos consumidos com álcool”, alerta Marques, que é professor de Medicina da Afya Vitória da Conquista.

O LSD pode provocar alterações na percepção de tempo e espaço, mudanças de personalidade, distorções da realidade e crises de pânico. Já o MDMA (ecstasy) ou o MMDA pode causar aumento da atividade cerebral, taquicardia, insônia e confusão mental. “O usuário pode apresentar sensação febril, desidratação e, quando há consumo associado ao álcool, o risco é ainda maior. Isso pode evoluir para convulsões e complicações neurológicas graves”, conclui.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Bruno Wendel/Correio da Bahia,

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 05:00
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