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Jovem de Adustina/BA, espera regulação há 18 dias na ‘Fila da morte’

Exatos 18 dias esperando por uma regulação. Essa é a agonia vivida pelo jovem Izaias Carvalho Santos, 23 anos, que sofreu um acidente de moto no início do mês e deu entrada no hospital municipal de Adustina, localizado a 364 quilômetros de Salvador, no nordeste baiano. Revoltado com a situação, o prefeito da cidade, Paulo Sergio Oliveira (PSD), gravou um áudio que viralizou no whatsapp reclamando da situação. “É uma verdadeira fila da morte. Se não tiver apoio político, morre à míngua nos hospitais municipais”, declarou.

À reportagem, o prefeito reforçou a declaração e disse que está buscando apoio político para que essa transferência seja realizada. “Infelizmente, a regulação funciona através de conhecimento político. Se você tem conhecimento político com algum deputado, pode até fazer transferência. Se não tem, fica nessa situação. Eu mantive contato com o deputado federal Gabriel Nunes (PSD), que se comprometeu em reforçar o pedido ao Estado, e também pedi aos vereadores que peçam o mesmo a seus deputados”, disse.

Em Adustina, prefeito e família temem que esses critérios não estejam sendo obedecidos, devido a gravidade da situação do paciente. “Ele está esquecido, um pouco desorientado, tem dificuldade de se locomover…”, disse o eletricista Marcos Carvalho Santos, 28 anos, irmão de Izaias. Marcos mora em Ribeirão Preto (SP) e veio para a Bahia só para ajudar a família nesse período difícil.

“Nossa família não tem muitas condições financeiras, mas chamamos uns amigos e juntamos dinheiro para fazer uma ressonância particular e consulta com neurologista. Ele verificou que há um vazamento de sangue na cabeça dele que está afetando os movimentos da perna e braço, disse que tem também um cisto na cabeça e que ele precisa de atendimento num hospital com capacidade de examiná-lo todo dia, para ver se vai ser preciso fazer cirurgia”, contou.

Nesses serviços de saúde particulares, segundo Marcos, foi pago R$ 880 na ressonância e R$ 330 na consulta com neurologista. “É muito triste ficar correndo de um lado para outro e não ter uma resposta de quando vai transferir. Ele só tem 23 anos. Tem muito futuro pela frente e pancada na cabeça é complicado. Temos medo de que ele não consiga ser tratado com rapidez e ficar com alguma sequela”, apontou.

O acidente 
De acordo com o irmão do paciente, Marcos estava indo do centro da cidade para sua casa, localizada na zona rural do município, quando sofreu o acidente próximo a um quebra-molas. Ele não usava capacete; “A pancada foi forte, direta na cabeça. Parte da orelha foi arrancada. No hospital, deram todo atendimento possível, mas até hoje ele não foi transferido. E o hospital daqui não tem a capacidade de fazer o tratamento que ele precisa”, disse.

De acordo com o prefeito, há uma UTI móvel e uma equipe médica pronta para transferir o rapaz para qualquer lugar do Estado, assim que a regulação sair. “Na região, o hospital principal é o Santa Tereza, uma unidade Regional localizada em Ribeira do Pombal. Mas se ele tivesse dado entrada lá, estaria na mesma situação, pois é preciso um hospital de grande porte para resolver o problema”, afirmou.

Ainda segundo o prefeito, normalmente, os casos graves são enviados pela regulação para hospitais de Salvador e Feira de Santana.

“Essa é a primeira vez que ficamos tanto tempo esperando. Nunca aconteceu aqui na região um tempo desse. Antes era no máximo oito dias”, afirmou.

O prefeito também acionou o Ministério Púlbico da Bahia e o promotor Ariel José Guimarães Nascimento enviou, na última quinta-feira (18), um ofício destinado a Rita de Cássia Silva Santos, diretora da Regulação e Assistência à Saúde da Sesab, solicitando que a transferência do paciente fosse feita, o que não aconteceu.

“Inclusive, eu conversei com o promotor agora a pouco e ele disse que vai aguardar só até hoje para entrar com uma ação contra o Estado. Independente de política, entendo que política é feito no período eleitoral, mas, na minha opinião, o governador Jerônimo tem que ver essa situação da regulação na Bahia. Isso vem se arrastando desde o governo de Wagner, Rui e não muda”, lamentou.

A Sesab foi procurada, mas ainda não respondeu.

Correio/BA, 23/05/2023
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