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Juros bancários disparam com aumento de combustíveis e inflação

O aumento no preço dos combustíveis e a divulgação da maior inflação mensal para fevereiro desde 2015, foram motivos capitais para a subida nos juros de referência para empréstimos bancários e financiamentos ao consumidor brasileiro, nesta sexta-feira, 11.

As taxas DI (Depósitos Interbancários) de curto prazo – para janeiro de 2023 – subiram a 13,1% ao ano. Uma alta de 0,2 ponto percentual em relação à última quarta, antes do anúncio da alta dos preços de gasolina, diesel e gás.

A alta dos DIs revela que o mercado está esperando um aumento mais agressivo da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central. A taxa básica está em 10,75% ao ano, uma das mais elevadas do mundo em relação à expectativa de inflação anual do país, que é de 5,65%. Analistas avaliam que a Selic subirá mais e encerrará 2022 acima de 12%.

“O IPCA [inflação oficial] veio pior do que o esperado”, comentou Jansen Costa, sócio da Fatorial Investimentos. “Com esses dados, a expectativa de aumento de juros pelo Copom agora é maior”, disse. Para Jansen, o impacto do aumento da gasolina só será refletido na inflação oficial a partir do próximo mês.

Nesta sexta, Bolsa e câmbio do Brasil alternaram entre altos e baixos nas primeiras horas do pregão. No início da tarde, o viés pessimista passava a se consolidar. Às 12h58, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações do país, caía 0,20%, a 113.427 pontos.

Setores de construção civil e de varejo, tradicionalmente prejudicados pela alta dos juros, puxavam a Bolsa para baixo. O destaque negativo era a construtora MRV, que afundava 10,03%.

O dólar subia 0,43%, a R$ 5,0390. Juros altos tendem a atrair investidores estrangeiros para o país e isso, em tese, deveria gerar uma tendência de baixa da moeda americana. Mas não é isso o que acontecia nesta sexta.

A crise geopolítica na Europa e a inflação nos Estados Unidos direcionam a alta do câmbio nesta sessão. É nos ativos ligados ao dólar que investidores procuram proteção em períodos de incerteza. Nesta sexta, a divisa americana se valorizava em relação a 19 de 24 moedas de países emergentes, segundo dados da agência Bloomberg.

Sem perspectivas de solução para o conflito, a expectativa de severa redução da oferta de petróleo russo segue pressionando a alta da commodity no mercado internacional. O barril do Brent subia 1,66%, a US$ 111,14 (R$ 561,33). A alta compensava a queda de 1,63% da véspera.

Petróleo e derivados então no centro da pressão inflacionária global. Nos Estados Unidos, a alta nos preços ao consumidor acumulada em 12 meses alcançou 7,9% em fevereiro, o pior resultado para o mês em 40 anos.

Analistas da Genial Investimentos avaliam que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) iniciará o ciclo de aumentos da taxa básica de juros nos Estados Unidos na próxima semana, com uma elevação de 0,25 ponto percentual para encerrar 2022 com juros de 2,5% ao ano. Hoje a taxa americana está praticamente zerada.

No mercado americano de ações, o índice de referência (S&P 500) oscilava perto da estabilidade, com alta de 0,05%. O indicador Dow Jones, que concentra empresas de menor valor e menos dependentes de crédito, subia 0,32%. Já a Nasdaq, bolsa que reúne companhias que precisam de crédito barato para crescer, recuava 0,58%.

Fonte: Atarde, 11/03/2022

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