
Com seus principais interlocutores de política externa fora do país, o presidente Lula convocou uma reunião de emergência com os ministros para discutir a gestão da crise diplomática com a Venezuela, que escalou bastante nos últimos dois dias, criando uma ameaça de ruptura entre os países e de uma turbulência que pode abalar as relações em todo o continente.
O assessor especial da Presidência e ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, está em Moscou e o atual titular da pasta, Mauro Vieira, se encontra em viagem a Omã e Arábia Saudita. O impasse começou em 20 de março, quando o governo de Nicolás Maduro mandou prender seis integrantes da Plataforma Unitária Democrática, de oposição ao governo, sob a alegação de que seriam terroristas.
No mesmo dia, Maduro expulsou todo o corpo diplomático da Argentina e de outros seis países (Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai) que questionaram o resultado das eleições, contestadas pela oposição, que exigia a divulgação dos boletins de urna.
Após a decisão de Maduro, a chanceler argentina, Diana Mondino, pediu a Mauro Vieira, que defendesse os interesses diplomáticos do país na Venezuela e, no dia 31 de agosto, o Ministério das Relações Exteriores assumiu a custódia da embaixada da Argentina na Venezuela e as suas funções diplomáticas.
Mesmo tendo um acordo com o governo brasileiro, as forças da Venezuela cercaram a Embaixada da Argentina na sexta-feira, 6, e no sábado, 7, o prédio amanheceu sem energia elétrica.
Nesse meio tempo, o candidato da oposição, Edmundo Gonzalez, que alega ter sido o mais votado nas eleições, fugiu da Venezuela e conseguiu asilo na Espanha. Na reunião convocada por Lula neste domingo, 8, a avaliação é de que, apesar dos esforços do Brasil de mediar a crise e buscar uma saída política, o momento é de tensão entre os dois países.
Atarde, 08/09/2024



