
Na semana do Dia Nacional de Combate ao Fumo, especialistas citam os riscos trazidos pelo tabagismo e alertam sobre os efeitos do tabaco no corpo, inclusive câncer de bexiga.
Professor da Faculdade Bahiana de Medicina e médico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), o pneumologista Almério Machado Jr, explica que, mesmo com tanta divulgação, ainda há muitos casos chegando à sua clínica. “São em torno de 7 mil substâncias geradas com a combustão do cigarro e dezenas delas são potenciais causadoras de câncer. No meu consultório, é muito frequente a busca por auxílio daqueles que querem parar ou já sofreram danos do tabagismo”, diz.
Câncer
O tabagismo também é o principal causador do câncer de bexiga, segundo os profissionais. A doença pode causar sérios problemas para aqueles que tiverem casos músculo-invasivos – cerca de 20% – quando é necessário remover a bexiga e a próstata, no caso do homem; e bexiga, útero, trompas de falópio e, às vezes, até um pedaço da vagina para as mulheres. “Arriscaria dizer que, na minha prática, observo de 60% a 70% dos pacientes desta doença com um histórico de tabagismo”, afirma o coordenador do núcleo de uro-oncologia das Obras Sociais Irmã Dulce, o urologista Nilo Jorge.
A estimativa é de que 10.640 brasileiros foram diagnosticados com a doença em 2020, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Mais de 90% de todos os tumores uroteliais são por conta do câncer de bexiga, o décimo tipo mais comum no mundo, com cerca de 550 mil novos casos ao ano. Um dos sintomas é a presença de sangue na urina sem que haja dor ou ardência. Bráulio Alves, de 67 anos, foi diagnosticado com a patologia, causada pelo seu histórico de tabagismo. “Depois de muitas tentativas anteriores, consegui. A vida mudou completamente, o gosto dos alimentos, o cheiro das coisas, a vontade física, o poder de acordar com disposição e de ter vencido esse vício tão difícil para a maioria”, comenta.
Fonte: Atarde, 25/08/2021



