
Numa ação ousada e bem planejada, homens armados invadiram e tomaram posse de uma fazenda de 8 mil hectares no município de Cocos, no Oeste baiano, próximo à divisa com Minas Gerais. A ocorrência foi registrada em dezembro do ano passado e mesmo após três pedidos de reintegração de posse a justiça baiana ainda não se pronunciou sobre o caso.
Um inquérito policial foi aberto para apurar a invasão. A delegada Luzmaia Cecilia de Souza e Silva determinou busca e apreensão na fazenda e realizou a oitiva dos trabalhadores expulsos e dos responsáveis pela invasão. Ninguém foi preso e a fazenda continua sob domínio dos invasores.
A propriedade, onde se encontram 700 cabeças de gado, foi invadida quando o gerente e parceiro do proprietário, José Eurico da Silva, não se encontrava na sede. A esposa dele, Deise Rose Silva, conta como se seu a ação dos invasores.
“Quando vi 5 carros chegando com gente armada já fiquei nervosa. Arrebentaram portas, levaram o trator, atravessaram na pista. Disseram não se preocupe que é reintegração de posse, mas não apresentaram nenhum documento. Era arma longa, pistola, faca”, recorda a ex-vereadora do município, que deixou o lugar atendendo as ordens dos invasores. “Levei o remédio e o cachorro que eu não largo por nada”, relata.
Gente treinada
José Eurico da Silva, marido de Deise e também ex-vereador por três mandatos em Cocos, tem uma parceria com o proprietário da fazenda São Silvestre, Maely Botelho Coelho e há mais de 20 anos administra a propriedade. Ele teve que se mudar para uma localidade mais afastada com receio de represálias.
Quando lembra do ocorrido e dos momentos vividos por sua companheira, ele não esconde a indignação. “isso não existe, não. Expulsar você da sua casa”, desabafa José Eurico, que no momento da invasão estava no campo. “Quando cheguei eles já tinham uma hora e meia (na propriedade). Posicionaram carros pra fechar o acesso, é gente treinada” acredita o fazendeiro.
O advogado Joel Mendes, que representa o proprietário da fazenda, compartilha dessa suspeita. Segundo ele, o inquérito policial apurou que entre os invasores há pelo menos dois ex-integrantes de corporações militares, ambos do Rio de Janeiro. Um com passagem pela Marinha e outro pela Polícia Militar, o que reforça a suspeita de que se trata de uma milícia, talvez contratada para extorquir os donos da terra.
Lentidão
O empresário Maely Botelho Coelho, que vive no Espírito Santo, onde é empresário do ramo de saúde, manifesta sua indignação. “A justiça é muito lenta, não sei por que. A gente com todas as provas, fazenda produtiva, com gente lá, sei lá se tem alguma coisa estranha”, diz Maely, que tem tido problemas de saúde desde a ocupação da fazenda.
“Dói demais, já me levou para o hospital algumas vezes”, relata o empresário, que comprou as terras há 22 anos e montou uma grande estrutura produtiva. “Era cerrado puro, hoje tem casa, curral, cercas, campo de pouso homologado”, elenca o proprietário, que aguarda o despacho judicial para reaver seu patrimônio.
Atarde, 24/03/2024



