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Igreja lotada, emoção e pedidos: como foi a celebração do Corpus Christi em Salvador

Quando os sinos da Catedral Basílica romperam o silêncio no Terreiro de Jesus, no Centro Histórico de Salvador, na manhã desta quinta-feira (16), e anunciaram o começo da missa de Corpus Christi o templo já estava lotado. Era tanta gente que alguns fiéis precisaram acompanhar as orações de pé nos corredores e na porta da igreja. Representantes de diversos grupos religiosos marcaram presença, e após o culto uma procissão formada por católicos e turistas percorreu as ruas do bairro.

A missa começou às 9h. O corredor central da igreja ficou interditado por ter sido o local escolhido para receber os tapetes feitos por fiéis para celebrar a data. À direita, se destacava na multidão a Irmandade dos Homens Pretos com seus mantos negros sobre os ombros. À esquerda, outros grupos religiosos sentaram juntos criando divisões de cores no templo. No mezanino, o coral do Seminário São João Maria Vianney (Federação) ditou o ritmo da celebração.
O Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Sergio da Rocha, enviou uma carta aos religiosos da Arquidiocese com algumas orientações. Ele recomendou que apenas os integrantes das irmandades e da Forania 1 (católicos da região) comparecessem à missa na Catedral Basílica e que os demais fiéis fossem incentivados a fazer as orações nas próprias paróquias para evitar aglomerações. A medida foi tomada por conta do aumento nos casos de covid. Ele destacou a importância da solidariedade e do amor ao próximo.

“Corpus Christi é antes de tudo um testemunho público de fé em Jesus, na Eucaristia. A Igreja tem várias ocasiões no ano em que ela celebra a própria fé através de solenidades, mas há uma única vez no ano em que se faz a procissão com o Santíssimo Sacramento para demonstrar publicamente a fé que temos em Jesus, uma fé que precisa ser vivia no dia a dia, por isso, ela acontece na rua. É preciso lembrar que a fé em Jesus deve ser acompanhada pela caridade e pelo amor aos mais sofredores” afirmou.

Dom Sérgio pediu também que todos usassem máscara e a maioria dos fiéis seguiu a recomendação. A aposentada Maria Fernandes, 66 anos, levou até álcool gel. “Esse é um momento de adoração ao Santíssimo, de reverenciar nossa fé, mas não podemos descuidar da nossa segurança. Deus nos deu a vacina e as máscaras, temos que usar”, disse.

A chuva que havia caído durante a missa deu uma trégua no momento da procissão e o sol brilhou forte em um céu azul. Um dos momentos mais emocionantes foi o da benção final, na escadaria da Catedral. Quando a banda da Polícia Militar cessou os instrumentos o público formou um coral espontâneo entoando os últimos versos. Em seguida, um silêncio caiu sobre o local para as orações e foi interrompido cerca de dois minutos depois pelas vozes do coral profissional que estava dentro da igreja. Algumas pessoas se emocionaram.

Procissão
Depois de dois anos cancelada por conta da covid, as procissões após a missa de Corpus Christi foram retomadas em 2022, mas a Arquidiocese recomendou trajetos curtos para evitar grandes aglomerações. Pouco antes da missa terminar, os membros das irmandades deixaram o templo e foram organizados em grupos. A imagem do Santíssimo Sacramento saiu da Catedral carregada pelo arcebispo e sob fortes aplausos.

A procissão foi animada por um carro de som, teve cânticos e orações. A multidão caminhou até as proximidades da Praça Castro Alves e retornou à Catedral, com policiais militares e agentes da Transalvador auxiliando no percurso. A movimentação atraiu a atenção de quem estava trabalhando nas lojas e de turistas, como a administradora mineira Lis Torres, 30 anos.

“O desfile está muito bonito. As duas filas indianas com a imagem desfilando no meio deu um tom de respeito e proteção muito bonitos de ver. São diversos grupos religiosos e as vestes são lindas, enfim, estou adorando tudo”, comentou, enquanto fazia fotos. Participaram da celebração cinco associações, seis ordens terceiras e nove irmandades, além de seminaristas, diáconos, padres e bispos.

Corpus Christi
A Solenidade do Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo teve início em Liége, na Bélgica, no século XII, após uma visão de uma freira, que apontava a ausência de uma solenidade para consagrar o corpo de Cristo, e após um padre ver a hóstia consagrada pingar gotas de sangue sobre o corporal. O papa Urbano IV ficou impressionado quando encontrou os fiéis caminhando diante da relíquia eucarística desses dois episódios e pronunciou as palavras “Corpus Christi” (Corpo de Cristo). Em 1264, ele instituiu a solenidade, que foi promulgada em decreto, em 1317.

A procissão que acontece após a missa passou a ser realizada a partir do século XIV. No Brasil, a primeira manifestação pública de louvores à Eucaristia aconteceu na cidade de Salvador, em 1549. De acordo com o calendário litúrgico, a Solenidade de Corpus Christi acontece sempre na quinta-feira seguinte à Solenidade da Santíssima Trindade. Contudo, é importante lembrar que o dia de comemoração do Sacramento da Eucaristia é a Quinta-feira Santa, dia em que foi instituída, enquanto que a festa de Corpus Christi se constitui como a confirmação da presença amorosa de Jesus.

Fonte: Correio/BA, 16/06/2022

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