
O Esporte Clube Vitória segue trabalhando na transição para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e, simultaneamente, um grupo de torcedores busca negociar com um dos grupos mais influentes do cenário mundial. Em entrevista ao CORREIO, o Movimento Vitória SAF (MVSAF) confirmou que enviará uma comitiva ao Catar para conversar com representantes do Qatar Sports Investments (QSI), fundo que controla o Paris Saint-Germain (PSG). Enquanto isso, na noite da última quinta-feira (6), o clube realizou o 2º workshop de implementação da SAF.
A missão será liderada por Marcone Amaral, ex-jogador do Vitória e naturalizado catariano, escolhido para atuar como principal elo entre o clube e os executivos do QSI, em função de sua trajetória como atleta no país e seu vínculo junto ao movimento. Segundo o MVSAF, passagens e hospedagem já foram adquiridas, e contatos estão sendo feitos com dirigentes do Vitória para garantir a representação institucional durante as reuniões em Doha.
Entre os interlocutores locais, destaca-se o diretor da divisão de base, Thiago Noronha, que demonstrou interesse em participar dos encontros, reforçando a importância de apresentar um plano de negócios completo, abordando patrimônio, categorias de base, situação financeira e passivos do clube, de modo a demonstrar solidez e atratividade ao QSI.
Durante o 2º workshop realizado pelo clube, o advogado respondeu o convite realizado por Daniel Barbosa, um dos líderes do movimento, e se colocou à disposição de participar das conversas. No entanto, Sica destacou que seu escritório já possui possibilidade de diálogo com os principais players do mercado e que uma possível ajuda na viagem teria que ser permitida pela diretoria do Vitória.
Na nota divulgada, o MVSAF ressaltou que a inclusão de Marcone Amaral no grupo foi oficializada na última terça-feira (3), destacando seu papel estratégico nas aproximações com investidores internacionais
Embora ainda não exista uma negociação formal em andamento, o movimento acredita que esse primeiro contato presencial com o QSI será decisivo para avançar rumo a um possível aporte, o que poderia colocar o Vitória como o primeiro clube brasileiro a receber investimento direto do fundo que gere o PSG.
Na última quinta-feira (5), o Vitória realizou o segundo Workshop sobre a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O encontro aconteceu no Quality Hotel & Suites São Salvador, no Stiep, e reuniu sócios, membros da diretoria e integrantes dos Conselhos Deliberativo, Gestor e Fiscal.
A etapa de “diagnóstico” do processo, que envolveu mapeamento de patrimônio, análise de dívidas, estrutura jurídica e perfil associativo, foi apresentada pelos advogados do CSMV Advogados, André Sica, Danielle Maiolini e Octávio Vidigal. Segundo Sica, esse trabalho detalhado permitiu conhecer a fundo o clube e suas necessidades, servindo de base para propor um modelo estrutural de SAF compatível com a realidade do Vitória.
Ao mesmo tempo, os consultores explicaram que já mantêm conversas iniciais com potenciais investidores de grande porte, por entenderem que o clube, pela sua dimensão, atrai naturalmente esse tipo de interlocução. “O Vitória tem atratividade suficiente para que esses investidores apareçam e indiquem interesse em aportar recursos”, afirmou Sica.

2º workshop da SAF do Vitória Crédito: Divulgação/EC Vitória
A divisão de ativos entre associação e nova empresa foi outro ponto-chave. Danielle Maiolini explicou que o departamento de futebol, com contratos de atletas, será transferido integralmente para a SAF, ao passo que tudo que envolve a vida associativa (sede administrativa, diretoria social etc.) permanecerá na associação. Já os direitos de propriedade intelectual (marca, símbolos e hino) poderão ser integrados na empresa ou simplesmente licenciados, conforme melhor conveniência para gerar receita ao clube e dar liberdade à SAF para utilizá-los.
O workshop também apresentou o projeto arquitetônico e de negócios para a Arena Barradão, assinado pela SDPlan, responsável por obras como as Arenas da Amazônia, Cuiabá e das Dunas, e pela AR Foods, especializada em gestão de bares, com experiência na Neo Química Arena. Esse plano inclui a construção de áreas comerciais, como shopping e restaurante, e deverá ser submetido ao Conselho Deliberativo em até 60 dias.
Ao final da palestra, membros do Conselho fizeram perguntas sobre cronogramas, impactos financeiros e detalhes jurídicos, esclarecendo dúvidas sobre prazos e responsabilidades na implementação da SAF.
Correio/BA, 06/06/2025



