
A Operação Inventário, que investiga uma organização criminosa formada por pessoas ligadas ao Poder Judiciário, prendeu, nesta quinta-feira (16), todos os alvos dos mandados de prisão preventiva que foram expedidos, de acordo com informações do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), que comanda a ação por meio do Grupo de Apoio Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Além das pessoas presas, as buscas realizadas nos municípios de Salvador, Lauro de Freitas e Ribeira do Pombal colheram um material robusto para o prosseguimento das investigações.
“A operação cumpriu todos os mandados de prisão e busca e apreensão. Foram presas três pessoas, entre elas dois assessores do TJ [Tribunal de Justiça] e um hacker, e apreendidos mais de 100 cartões de créditos em nomes de terceiros e empresas, celulares, HDs e computadores”, informou o Ministério Público através de sua assessoria. O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) foi procurado pela reportagem para se posicionar sobre o caso e informar se monitora o andamento da operação, mas preferiu não responder.
OAB acompanha operação
Procurada, a Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB-BA) manifestou apoio a operação e afirmou que vai acompanhar os desdobramentos das investigações para tomar as devidas ações cabíveis à instituição. “A OAB da Bahia apoia uma investigação profunda e rápida das condutas apontadas na Operação Inventário […]. Vamos solicitar os autos e encaminhar ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da Seccional, que adotará todas as medidas cabíveis para apuração rigorosa de eventuais condutas incompatíveis com a advocacia”, escreveu.
A ordem destacou ainda que fez diversas mudanças no Tribunal de Ética e Disciplina nos últimos três anos para dar mais celeridade aos processos, só que precisa contar com o apoio de quem comanda as investigações para participar do processo e poder punir os advogados envolvidos em ações criminosas.
Entenda a operação
Os mandados cumpridos nesta quinta foram deferidos pela Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa da Comarca de Salvador (Vorcrim). Nesta Fase, o Gaeco apurou indícios da prática de crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, fraude processual e uso de documento falso.
De acordo com o MBPA, a ‘Operação Inventário’ conta com o apoio operacional da Polícia Civil, por meio do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco) e do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), e da Polícia Federal, por meio da Superintendência Regional na Bahia.



