
O escândalo envolvendo o Banco Master pode ter alcance muito maior do que inicialmente estimado e atingir mais de 400 prefeituras brasileiras, segundo revelou a jornalista Daniela Lima durante participação no podcast Flow Podcast. Investigações e relatos já indicam que diversas cidades teriam aplicado recursos públicos na instituição financeira, algumas vezes atendendo a pedidos de lideranças políticas.
O caso envolve um rombo estimado em cerca de R$ 40 bilhões, que começaria a ser coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo garante valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ para investidores em caso de quebra de instituições financeiras. Segundo a colunista, caso a cobertura seja acionada em larga escala, parte relevante do dinheiro utilizado para recompor perdas pode vir de bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, que participam do sistema de garantia.
Além do impacto no sistema financeiro, o caso também envolve investimentos feitos por entes públicos. Daniela citou que fundos de pensão ligados ao governo do Rio de Janeiro, durante a gestão do governador Cláudio Castro, teriam aplicado cerca de R$ 1 bilhão na instituição.

Outro exemplo citado foi o do Banco de Brasília (BRB), vinculado ao governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha, que teria investido aproximadamente R$ 12 bilhões em papéis ligados ao banco. O BRB chegou a tentar comprar o banco de Daniel Vorcaro, movimento que poderia ter como objetivo esconder a compra bilionária da instituição pública em ativos do banco em crise. A operação acabou sendo barrada pelo Banco Central.
O escândalo também pode ganhar novos desdobramentos nas investigações. De acordo com ela, a Polícia Federal do Brasil já teria indícios de que o Banco Master teria financiado apoio parlamentar. “O próximo braço que a gente vai ver é corrupção”, analisou.
Daniela lembrou que o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, chegou a afirmar em entrevista que líderes políticos em alguns estados teriam ligado para prefeitos incentivando a aplicação de recursos no Banco Master com o objetivo de manter a instituição financeiramente ativa. “Pediam para os prefeitos colocar dinheiro lá. Para quê? Para segurar o Master de pé”, ressalta ela.
Fonte: por Henrique Brinco/Bnews,
Publicado em 15/03/2026, às 17h30 – Atualizado às 17h49



