
A Oi informou à Justiça do Rio de Janeiro que pode ficar sem recursos para manter suas operações a partir de 10 de agosto de 2026 e, diante desse cenário, solicitou autorização para demitir parte dos trabalhadores e adiar o pagamento das verbas rescisórias. O pedido foi apresentado à 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital no último dia 20, dentro do segundo processo de recuperação judicial da operadora.
Pedido inclui demissões e medidas emergenciais
A solicitação faz parte de um pacote de medidas consideradas emergenciais pela empresa. Entre elas, está a liberação de R$ 27 milhões provenientes de depósitos em processos trabalhistas e cíveis, além da autorização para novas tentativas de leilão da unidade Oi Soluções e a continuidade da venda de cabos de cobre à empresa R.Log por R$ 9,50 por quilo.
Pagamento de rescisões pode ser adiado
A Oi quer postergar o pagamento das verbas rescisórias para um momento futuro, condicionado à entrada de novos recursos. Entre as possíveis fontes estão a venda de ativos como a participação na V.tal e a própria Oi Soluções, que ainda não teve interessados no primeiro leilão.
Segundo a empresa, o caixa atual, estimado em R$ 19,6 milhões ao fim de julho, não seria suficiente para arcar com os custos imediatos das demissões.
No documento enviado à Justiça, a operadora afirma: “Negar essa medida equivaleria a impor o desembolso imediato de verbas que o caixa não comporta, o que precipitaria o colapso financeiro das recuperandas, a interrupção dos serviços públicos essenciais e, paradoxalmente, o agravamento da situação dos próprios trabalhadores, que se veriam credores de massa falida sem qualquer perspectiva de satisfação de seus créditos”.
A companhia também alerta que a falta de recursos pode comprometer serviços considerados essenciais, como atendimento a órgãos eleitorais, ao Judiciário, prefeituras, casas lotéricas e telefonia fixa.
A empresa afirma ainda enfrentar um “limbo processual”, com despesas fixas incompatíveis com sua capacidade de pagamento e uma estrutura de pessoal acima da necessidade operacional.
Sindicatos devem contestar proposta
O pedido de demissões com adiamento das rescisões deve ser questionado por federações sindicais, que defendem o pagamento imediato dos valores. As entidades também cobram a quitação de verbas relacionadas às cerca de 5 mil demissões da Serede, subsidiária da Oi que teve falência decretada em dezembro de 2025.
A projeção de caixa da empresa caiu significativamente. Em abril, a estimativa era de R$ 88,1 milhões para o fim de julho, mas o valor foi revisado para R$ 19,6 milhões. A expectativa de insuficiência de recursos, antes prevista para setembro, foi antecipada para agosto.
A Oi está sob gestão judicial desde setembro de 2025, comandada por Bruno Rezende, do Preserva-Ação. No último relatório disponível, referente a abril, a empresa registrava cerca de 1,6 mil funcionários contratados pelo regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e 8,7 mil trabalhadores indiretos.
Os pedidos apresentados pela operadora ainda dependem de decisão da Justiça.
Fonte: por Redação Bnews,
Publicado em 26/07/2026, às 13h04



