
O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode terminar com o maior déficit nominal das contas públicas em mais de duas décadas, segundo cálculos de economistas ouvidos pelo jornal O Globo. O indicador, que considera a diferença entre receitas e despesas do governo incluindo o pagamento de juros da dívida pública, deve alcançar 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB) ao fim dos quatro anos de mandato.
Os números também mostram avanço da dívida bruta do setor público. Em maio, ela correspondia a R$ 10,6 trilhões, ou 81,1% do PIB. Em junho, subiu para R$ 10,8 trilhões, equivalente a 81,9% do PIB. A projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI) é de que a dívida encerre o ano em 82,5% do PIB.
Na avaliação de Montero, o principal problema não é o tamanho da dívida, mas o ritmo de crescimento das despesas públicas.
Segundo o economista, os gastos públicos cresceram 12,3% acima da inflação no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O diretor-presidente da IFI, Marcus Pestana, também atribui a deterioração fiscal à combinação entre baixo crescimento econômico, juros elevados e sucessivos déficits primários. Pelas projeções da instituição, a dívida pública poderá atingir 100% do PIB em 2032 e chegar a 115% em 2036 caso não haja mudanças na trajetória fiscal.
Já o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, avalia que um déficit próximo de 10% do PIB é elevado até para os padrões históricos brasileiros. Ele ressalta, porém, que houve antecipação de pagamentos de precatórios neste ano, fator que contribuiu para inflar temporariamente o indicador.
Mesmo assim, Salto projeta que o déficit nominal deve fechar 2026 em torno de 9% do PIB, refletindo principalmente o elevado custo dos juros e a percepção de risco fiscal pelo mercado.
Na avaliação dos economistas consultados pela reportagem, a trajetória das contas públicas exigirá medidas de ajuste fiscal nos próximos anos. Montero cita como exemplos iniciativas adotadas por governos anteriores, como o teto de gastos, o ajuste fiscal conduzido por Joaquim Levy e o aumento da arrecadação promovido pelo então ministro da Fazenda Fernando Haddad.
Para Solange Srour, diretora de Macroeconomia Brasil do UBS Global Wealth Management, o país ainda não produz superávits primários suficientes para estabilizar a dívida pública, o que compromete a confiança dos investidores.
Segundo ela, sem reformas que desacelerem o crescimento das despesas obrigatórias, a dívida continuará avançando em ritmo acelerado.
A economista alerta que a persistência desse cenário pode elevar ainda mais as expectativas de inflação, manter os juros em patamares elevados e dificultar o financiamento da dívida pública, aumentando o risco de uma crise fiscal nos próximos anos.
Fonte: por Mariana Rios/Correio da Bahia,



