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Jovens estão abandonando o convívio social, se isolando por meses dentro de casa, e fenômeno pode ser sinal de alerta à saúde mental

Imagine passar semanas, meses ou até anos praticamente sem sair de um único ambiente. Para alguns jovens, a convivência presencial vai desaparecendo aos poucos, enquanto o contato com o mundo passa a acontecer quase exclusivamente pelas telas. Esse comportamento extremo tem nome: Hikikomori.

Descrito pela primeira vez no Japão, o fenômeno ganhou atenção justamente pela intensidade do isolamento. A pessoa se afasta de atividades sociais e evita interações presenciais, chegando a trocar grande parte da vida fora de casa pelo ambiente virtual.
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O termo, em tradução livre, significa “isolado em casa”. Apesar de ter sido identificado inicialmente no Japão, o comportamento também é observado em outros países e pode envolver diferentes fatores psicológicos, sociais e comportamentais.

O que é hikikomori

hikikomori ainda não possui uma classificação própria em manuais diagnósticos como a CID e o DSM-5. Por isso, em alguns casos, o quadro aparece relacionado a condições como dependência de internet ou jogos.

A condição pode se apresentar de duas formas. Na chamada forma primária, o isolamento ocorre sem estar associado a outro transtorno mental. Já na secundária, a reclusão aparece ligada a condições como depressão, ansiedade, fobia social, esquizofrenia, ou transtornos do neurodesenvolvimento.

O isolamento começa aos poucos

O comportamento nem sempre aparece de uma hora para outra. Entre os sinais de alerta estão o afastamento progressivo das atividades sociais, a perda de interesse por encontros presenciais, alterações no sono, irritabilidade e um aumento significativo do tempo passado na internet.

Um dos principais indícios é justamente a chamada “desadaptação social”, quando a pessoa começa a perder, gradualmente, a capacidade de manter uma rotina de convivência fora do ambiente em que se sente protegida.

Por isso, o isolamento prolongado pode passar despercebido no começo. O jovem pode simplesmente deixar de participar de atividades que antes faziam parte da rotina, até que o afastamento se torne cada vez maior.

Telas têm relação?

O uso intenso de internet e dispositivos eletrônicos também aparece nessa discussão, mas a relação não é tão simples. Ainda existe dúvida sobre o que vem primeiro: o excesso de telas ou isolamento.

Em alguns casos, a internet pode contribuir para o problema ao favorecer padrões de dependência. Irritabilidade, ansiedade e dificuldade para lidar com frustrações fora do ambiente virtual estão entre os comportamentos associados.

Ao mesmo tempo, a tela também pode ser uma consequência do próprio isolamento. Para quem já se afastou da convivência presencial, o ambiente online acaba se tornando uma das poucas formas de contato com o mundo exterior.

O que pode levar ao quadro

O hikikomori não tem uma única causa. Entre os fatores de risco citados estão baixa autoestima, dificuldades de socialização, histórico de bullying, traumas durante a infância e dinâmicas familiares disfuncionais.

Expectativas relacionadas ao desempenho escolar e à vida social também podem pesar. Para alguns jovens, afastar-se do ambiente externo acaba sendo uma maneira de evitar situações consideradas difíceis ou desgastantes.

Como é feito o tratamento

O tratamento precisa levar em conta a história de cada paciente. Intervenções psicoterapêuticas, principalmente a terapia cognitivo-comportamental, são apontadas como parte importante da abordagem. Dependendo dos sintomas apresentados, medicamentos também podem ser utilizados.

A participação da família também tem um papel importante. Em vez de pressionar a pessoa a voltar imediatamente à rotina, estratégias baseadas no acolhimento podem ajudar na reconstrução dos vínculos e na retomada gradual da vida social.

O fenômeno, portanto, vai além de simplesmente gostar de ficar sozinho ou passar muito tempo no quarto. O ponto de atenção está na intensidade e na duração do afastamento, principalmente quando a pessoa deixa de manter atividades e relações que antes faziam parte da própria vida.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Correio da Bahia, 23/08/2026

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