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Fundo de filhos de Mauro Mendes integra fraude de R$ 308 milhões, diz PF

Polícia Federal (PF) identificou um caminho de “cascata” financeira que teria levado parte dos recursos do acordo de R$ 308 milhões firmado pelo governo de Mato Grosso até uma empresa ligada aos filhos do ex-governador Mauro Mendes, do União Brasil. 

A apuração faz parte da Operação Heritage, deflagrada nesta quinta-feira (6/8), que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos em Mato Grosso. Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia, também do União Brasil, estão entre os alvos da operação, que também mira o desembargador Ricardo Gomes de Almeida e um procurador do estado.

 

A investigação aponta que a operação teria dado aparência de uma negociação comum entre empresas, mas teria servido para levar recursos públicos ao patrimônio privado da família do ex-governador.

 

Em vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais, Mauro Mendes declarou que não houve ilegalidade no tratado.  “Esse acordo passou por diversos procuradores, foi homologado pela Justiça, analisado como legal e vantajoso pelo Tribunal de Contas, Ministério Público de Contas e Ministério Público Estadual. Portanto, o pagamento feito pelo Governo do Estado foi correto, está dentro da legalidade”.

Ele ainda acrescentou que nem ele nem seus familiares possuem vínculo com os fundos recebedores dos recursos.

 

Caminho do dinheiro

Segundo a corporação, os recursos teriam seguido uma sequência de fundos até chegar à empresa ligada aos filhos de Mauro Mendes:

  • Royal Capital FIDC: recebeu parte dos valores relacionados ao acordo de R$ 308 milhões firmado pelo governo de Mato Grosso.
  • Zurich FIM CP: o dinheiro passou pelo fundo, apontado pelos investigadores como uma “conta de passagem”, usada para movimentar os valores antes do destino final.
  • London FIP: após passar pelo Zurich, os recursos chegaram ao fundo, que teria usado cerca de R$ 27 milhões para comprar participação na Parecis Bioenergia Ltda.
  • Parecis Bioenergia: as cotas da empresa pertenciam ao 5M Capital FIP, controlado pelo GS Heritage FIP, fundo que tinha como cotistas os filhos do ex-governador.

Operação Heritage

A ação, deflagrada nesta quinta-feira (6/8), apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro, uso indevido de informação privilegiada e organização criminosa em um suposto esquema envolvendo um acordo firmado entre o governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.

 

A Justiça determinou busca e apreensão, quebra de sigilos bancário e fiscal, bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os investigados.

A corporação aponta indícios de que a operação financeira foi usada para desviar recursos públicos por meio de fundos de investimento e empresas de fachada.

 

 

 

 

 

 

06/08/2026 15:45, atualizado 07/08/2026 06:48
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