
O auditor-fiscal da Receita Federal Francisco Eliezer Viana da Silva, preso na nova fase da Operação Snooker sob suspeita de receber ao menos R$ 6,8 milhões em propina para favorecer empresas importadoras no Aeroporto Internacional de Fortaleza, no Ceará, já havia sido demitido do serviço público e posteriormente reintegrado por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na operação atual, dois empresários apontados como integrantes do esquema foram presos em Salvador, onde também foram realizadas buscas e apreensões, incluindo uma lancha de luxo que seria de um deles.
A primeira investigação contra Francisco Eliezer ocorreu em 1998, quando foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar possíveis irregularidades funcionais.
A demissão, porém, acabou anulada. O Superior Tribunal de Justiça reconheceu a prescrição da pretensão punitiva e, em 2011, Francisco Eliezer foi oficialmente reintegrado aos quadros da Receita Federal.
Em 2025, o auditor voltou a ser investigado. Desta vez, as suspeitas envolvem corrupção, fraudes em importações e lavagem de dinheiro em fatos que, segundo a apuração, teriam ocorrido desde 2020. O caso integra a Operação Snooker.
Na nova fase, Francisco Eliezer foi preso. A defesa, formada pelos advogados Marcelo Oliveira e Gustavo Brasilino, informou que a prisão foi mantida após audiência de custódia e afirmou que serão adotadas as medidas jurídicas necessárias para o esclarecimento do caso.
Empresários foram presos em Salvador
A nova fase da operação também atingiu dois empresários em Salvador: Hugo Mendonça Andrade Santos e Rodolfo Sérgio Martins Maia Filho.
Segundo a Polícia Federal (PF), os dois são investigados por possível envolvimento na organização criminosa suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação no Aeroporto Internacional de Fortaleza.
Rodolfo já havia sido alvo da operação na fase anterior. Em 23 de julho, uma lancha de luxo foi apreendida na Baía de Todos-os-Santos. Segundo as informações da investigação, a embarcação seria do empresário. O mandado de busca e apreensão foi cumprido próximo a uma marina em Salvador.
Também foram determinadas medidas contra o patrimônio dos investigados, incluindo bloqueio de contas bancárias, sequestro de imóveis e bloqueio de veículos.
MPF aponta R$ 6,8 milhões em pagamentos
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Francisco Eliezer teria recebido vantagens indevidas para facilitar procedimentos envolvendo empresas importadoras.
Os pagamentos relacionados a essa atuação teriam chegado a R$ 1,2 milhão.
Outra parte da investigação envolve uma empresa responsável pela importação de produtos chineses. Os investigadores identificaram subfaturamento das mercadorias e constataram que algumas Declarações de Importação eram encaminhadas ao canal vermelho por indícios de irregularidades apontados pela análise de risco.
Outros R$ 3,1 milhões, ainda conforme o Ministério Público Federal, teriam sido repassados por integrantes do núcleo financeiro em troca de informações privilegiadas e facilidades em procedimentos aduaneiros.
Os três valores somam os R$ 6,8 milhões atribuídos pelo MPF ao auditor.
Dinheiro teria circulado por empresas
A investigação aponta que Francisco Eliezer não receberia diretamente os valores. Conforme o MPF, ele indicava outras pessoas jurídicas para que as empresas beneficiadas realizassem os pagamentos.
Essas empresas, embora formalmente registradas em nome de terceiros, seriam controladas ou administradas pelo auditor e utilizadas para movimentar e ocultar os recursos.
Investigação cita familiares e terceiros
O MPF identificou ainda um núcleo auxiliar formado por cônjuge, filhas, irmãos e cunhado do auditor.
Conforme a investigação, familiares teriam recebido pagamentos e bens adquiridos com recursos de origem ilícita. Outras pessoas também teriam permitido o uso de seus nomes em empresas e contas bancárias utilizadas para movimentar os valores.
A investigação não atribui a mesma conduta a todos os familiares e terceiros mencionados. A participação de cada pessoa depende dos elementos reunidos nas denúncias.
A segunda fase da investigação encontrou indícios de possível favorecimento a outras seis ou sete pessoas jurídicas, entre importadoras e comissárias de despacho.
Conversas analisadas pelos investigadores mencionavam números de Declarações de Importação que estavam em tramitação no Aeroporto Internacional de Fortaleza.
A investigação também identificou coincidência entre os períodos dos pagamentos e a tramitação dessas declarações. Conforme o MPF, esse é um dos elementos considerados na apuração da possível relação entre os repasses e a atuação do servidor.
Os investigados são suspeitos de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em importações. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça e não representam condenação definitiva.
Fonte: por Redação Bnews,
Publicado em 30/08/2026, às 06h00






