BRASILESPORTENOTÍCIAS

Governador eleito corta R$32 milhões que iriam para gigantes da Série A: “Estado está quebrado”

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), anunciou que não dará continuidade ao patrocínio de R$32 milhões destinado aos três principais clubes de futebol do estado. A decisão envolve América-MG, Atlético-MG e Cruzeiro e foi confirmada nesta quarta-feira (4), em um vídeo publicado nas redes sociais.

Cleitinho justificou o posicionamento ao afirmar que Minas Gerais enfrenta dificuldades financeiras e precisa direcionar os recursos públicos para áreas consideradas prioritárias. O aporte havia sido anunciado em 29 de setembro pelo então governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), que previa a divisão dos valores entre as equipes por meio de empresas estatais.

Na ocasião, o investimento foi apresentado após o anúncio do fim dos patrocínios de casas de apostas esportivas, as chamadas bets, aos clubes brasileiros. Cleitinho, porém, classificou a iniciativa de Simões como uma medida “eleitoreira” e criticou o uso de dinheiro público para beneficiar equipes de futebol.

Vocês lembram que o governo tomou essa atitude eleitoreira durante a campanha, assim que o governo federal anunciou a saída das bets do Brasil?”, questionou.

Apesar de afirmar que gosta de futebol e não é contrário ao esporte, o governador eleito disse considerar injustificável destinar mais de R$30 milhões aos clubes em meio às dificuldades enfrentadas pelo estado. O gestor estadual também destacou que as três equipes possuem modelos de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), com administração privada.

O Cruzeiro, Atlético, América, todos os times hoje são SAFs (Sociedade Anônima do Futebol), de iniciativa privada. O que faz um governo pegar mais de 30 milhões através de empresas estatais como Cemig e Codemig, e patrocinar esses times?”, declarou.

Cleitinho também mencionou preocupações com o pagamento dos servidores públicos e a oferta de merenda nas escolas estaduais para justificar a decisão. Para o futuro governador, os recursos devem ser direcionados às necessidades da população, em vez de financiar o patrocínio de equipes esportivas.

A gente está passando agora pela transição, o próprio governo dizendo que a partir de janeiro pode não ter dinheiro para pagar os servidores, vendo que está faltando merenda nas escolas. Eles mesmos estão dizendo que o estado está quebrado. Eu não posso aceitar pegar mais de 30 milhões da Cemig e da Codemig e colocar em time de futebol”, afirmou.

A suspensão do aporte também foi confirmada pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG). Em nota, o órgão informou que a medida é provisória e foi adotada diante de questionamentos sobre a legalidade e os critérios utilizados para estabelecer os patrocínios.

Entre os problemas identificados estão a ausência de estudos técnicos que comprovem o retorno institucional dos investimentos, a falta de parâmetros objetivos para definir os valores e dúvidas sobre a finalidade dos recursos públicos.

O conselheiro em exercício Licurgo Mourão, responsável por assinar a determinação, apontou indícios de que os valores foram estabelecidos com base nas necessidades financeiras dos clubes, e não nos interesses comerciais das empresas estatais envolvidas.

Outro ponto levantado foi o fato de os contratos terem sido anunciados em ano eleitoral, circunstância que exige atenção aos limites legais relacionados às despesas com publicidade e patrocínio.

Segundo o TCEMG, a suspensão busca impedir a transferência de dinheiro público antes da conclusão da análise sobre a legalidade, a legitimidade e a economicidade dos acordos. O mérito da representação ainda será examinado pelo tribunal.

 

Fonte: por Cauan Borges/Bnews,

Publicado em 04/11/2026, às 13h35 – Atualizado às 14h22

 

ASSISTA:

Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

15 + 18 =

Botão Voltar ao topo