
A Justiça da Bahia absolveu Thierry Lima da Silva, acusado de matar três mulheres em Ilhéus, no sul do estado. A decisão foi proferida em 8 de outubro, mas só teve detalhes divulgados na terça-feira (03/11). Entre os motivos apontados estão a ausência de provas que ligassem diretamente o réu ao crime e a falta de confirmação da suposta confissão atribuída a ele pela polícia.
Thierry foi preso dez dias depois do crime. Na ocasião, segundo a Polícia Civil, ele teria confessado participação no triplo homicídio durante um depoimento. A versão apresentada apontava que as mulheres teriam sido atacadas durante uma tentativa de assalto. O suspeito também teria relatado que estava sob efeito de drogas e que queimou uma bermuda que estaria suja de sangue.
Entretanto, a suposta confissão não foi gravada. Em outro momento, o acusado negou envolvimento nas mortes.
Durante a investigação, a Polícia Civil informou que realizou diligências, analisou imagens de câmeras de segurança, ouviu testemunhas e familiares e reuniu resultados de exames periciais. O inquérito foi concluído em 19 de dezembro de 2025, quatro meses após o crime, e Thierry foi indiciado.
A perícia, porém, não encontrou material genético do acusado nas unhas ou nas partes íntimas das vítimas. Também não foi identificado DNA dele ou das mulheres nas três facas apreendidas durante a investigação.
Na decisão, a juíza Emanuele Vita Leite Armede destacou a falta de vestígios genéticos que ligassem o réu às vítimas, às roupas ou ao local do crime. A sentença também apontou que a arma utilizada nas mortes não foi identificada e que não havia imagens ou testemunhas presenciais capazes de comprovar a participação direta do acusado nas execuções.
Apesar da absolvição pelo triplo homicídio, Thierry continua preso por causa de outro processo, relacionado à morte do próprio companheiro, após uma discussão motivada por ciúmes.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA), responsável pela denúncia no caso das três mulheres, recorreu da decisão. Ainda não há data definida para uma nova audiência.
A magistrada também determinou o envio de cópias da sentença ao Ministério Público e ao Núcleo de Homicídios de Ilhéus, para que sejam avaliadas novas medidas investigativas sobre a autoria das mortes.



