
A inscrição da sigla do Terceiro Comando Puro (TCP), segunda maior facção carioca, flagrada nas balaustradas do calçadão das imediações do Farol da Barra, foi apenas mais um episódio que reforçou a presença de criminosos em áreas nobres de Salvador. A região, no entanto, já convive diariamente com a dominação dos grupos, que “dividem” o bairro em zonas de controle. Conforme noticiado pelo CORREIO, os principais pontos turísticos do bairro, Porto da Barra e o Cristo Nosso Senhor, conhecido como o “Cristo da Barra”, são dominados, respectivamente, pelo Comando Vermelho (CV) e pelo Bonde do Maluco (BDM).
Facção marcou iniciais em balaustradas na Barra
A pouco mais de 1 km de distância, o Porto da Barra, por sua vez, área que já teve a praia eleita, em 2007, como uma das melhores do mundo pelo jornal britânico The Guardian, é dominada pelo Comando Vermelho. “O que a gente houve é que por aqui não fica ninguém de ‘três letras’. Se aparecer, é morte na certa. Aqui é ‘tudo dois’”, diz um ambulante ouvido pelo CORREIO, fazendo referência à presença da facção carioca.
TCP e BDM têm aliança em Salvador
A chegada e consolidação das facções nessas áreas turísticas e nobres acontece em face de uma infraestrutura inadequada que só aumenta a violência e por outro lado pode prejudicar o turismo na região.
A escalada da violência em bairros nobres e turísticos de Salvador não é uma novidade. Em julho de 2023, por exemplo, um homem foi encontrado morto dentro de uma caixa de isopor no Porto da Barra. Em dezembro de 2023, uma mulher foi morta em frente ao Farol da Barra. Em janeiro de 2024, um homem foi atingido por disparos após trocar tiros com a polícia na Avenida Centenário. A suspeita é que ele roubou um passageiro na região. Já em março deste ano, um tiroteio assustou os banhistas da praia Porto da Barra, no final da tarde de um domingo.
Frente a esse contexto de insegurança generalizada em Salvador, a sensação para moradores e visitantes da área é de desesperança. “A sensação é de que perdemos essa guerra para eles (criminosos)”, declarou o funcionário público João Paulo Feitosa, morador da Barra.
Fonte: Correio da Bahia, 20/08/2025



