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Federação de Indústrias diz que fim da escala 6×1 pode reduzir empregos formais e afetar competitividade na Bahia

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) afirmou, por meio de comunicado publicado na tarde desta quinta-feira (15), que o fim da escala de trabalho 6×1 pode comprometer a competitividade das empresas e provocar redução de empregos formais no estado. 

A entidade se manifestou após o Senado Federal aprovar, nesta quarta-feira (14), em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A proposta foi aprovada por 75 votos favoráveis e um contrário.

Em nota, a federação reconheceu a importância de melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida dos profissionais. No entanto, argumentou que a redução da jornada, sem garantias de ganhos de produtividade e mecanismos de compensação para as empresas, pode comprometer avanços econômicos e sociais, sem assegurar benefícios efetivos e duradouros aos trabalhadores.

A redução da jornada semanal e o fim da escala 6×1, representa um movimento que pode comprometer avanços econômicos e sociais, sem a garantia de melhorias efetivas e duradouras para os trabalhadores”, diz o comunicado.

A entidade também destacou que os efeitos da mudança não serão iguais para todos os segmentos. Na Bahia, os impactos podem ser mais expressivos nas indústrias que operam em turnos contínuos, nas micro e pequenas empresas e nas atividades que dependem de grande quantidade de mão de obra.

Os efeitos podem ser especialmente relevantes para as indústrias que operam em regime de turnos contínuos, para as micro e pequenas empresas e para os segmentos intensivos em mão de obra”, prosseguiu.

Entre os setores que despertam preocupação está a indústria química e petroquímica, considerada estratégica para a economia baiana. Segundo a Fieb, essas atividades utilizam turnos contínuos de seis horas e escalas 12×36, que exigem equipes organizadas, estabilidade operacional e rigorosos padrões de segurança.

A falta de regras claras sobre a adaptação desses modelos à nova jornada pode elevar custos, gerar insegurança jurídica e prejudicar a eficiência das operações, ainda de acordo com o comunicado da entidade.

A construção civil também foi apontada como um segmento suscetível aos efeitos da proposta. De acordo com a federação, a diminuição da jornada sem aumento proporcional da produtividade tende a elevar o custo da hora trabalhada e dificultar a reposição das horas de serviço.

Ainda segundo a entidade, as micro e pequenas indústrias enfrentariam dificuldades adicionais para absorver os custos de uma jornada reduzida. Como essas empresas costumam operar com equipes menores e margens financeiras limitadas, a necessidade de manter o mesmo volume de produção com menos horas disponíveis pode resultar em perda de competitividade e retração das atividades.

Em situações extremas, segundo a Fieb, o cenário pode levar à redução de postos de trabalho formais. Além disso, a federação também criticou a aprovação da proposta sem estudos abrangentes sobre seus efeitos econômicos e sem a definição de mecanismos de compensação para os empregadores.

Confira a nota da Fieb na íntegra:

“A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) reconhece a importância de promover melhores condições de trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores. Entretanto, o caminho escolhido com aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e o fim da escala 6×1, representa um movimento que pode comprometer avanços econômicos e sociais, sem a garantia de melhorias efetivas e duradouras para os trabalhadores.

Uma mudança dessa magnitude não produz efeitos homogêneos. Seus impactos variam conforme a estrutura produtiva, a intensidade de mão de obra, o porte das empresas e as particularidades regionais. Na Bahia, os efeitos podem ser especialmente relevantes para as indústrias que operam em regime de turnos contínuos, para as micro e pequenas empresas e para os segmentos intensivos em mão de obra.

Para segmentos intensivos em mão de obra, como a construção civil, a redução da jornada sem correspondente ganho de produtividade tende a elevar o custo da hora trabalhada e a ampliar as dificuldades de recomposição das horas perdidas. Esse risco se agrava em um cenário de escassez de mão de obra, no qual a contratação de profissionais, a formação de equipes e a manutenção dos níveis de produção já representam desafios concretos.

O quadro é ainda mais sensível para as micro e pequenas indústrias, que operam com equipes reduzidas e margens limitadas para absorção de custos adicionais. Para essas empresas, a necessidade de manter a produção com menos horas disponíveis pode resultar em perda de competitividade, retração de atividades e, no limite, redução do emprego formal.

Fonte: por Cauan Borges/Bnews,

Publicado em 15/10/2026, às 13h24 – Atualizado às 14h00

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