
O Irã apresentou uma nova proposta para conversas com os Estados Unidos por meio do mediador Paquistão, informou nesta sexta-feira, 1º, a imprensa estatal iraniana.
“A República Islâmica do Irã entregou na noite de quinta-feira o texto de sua mais recente proposta de negociação ao Paquistão, como mediador nas conversas com os Estados Unidos”, informou a agência oficial de notícias IRNA, sem fornecer detalhes sobre o conteúdo dessa proposta.
Mesmo que o conteúdo exato do documento seja mantido sob sigilo, os contornos do acordo sugerem uma tentativa de alívio econômico imediato.
Fontes próximas às negociações relataram ao The Guardian que Teerã sinaliza a reabertura do Estreito de Ormuz, mas tenta ganhar tempo ao adiar a resolução do seu programa nuclear. Para o ex-embaixador paquistanês nos EUA, Masood Khan, a estratégia é clara: o Irã está sinalizando que está jogando a longo prazo, mas os Estados Unidos querem resultados rápidos.
Enquanto os diplomatas correm contra o relógio, Washington tenta uma manobra política interna. Ontem, de acordo com o The Guardian, o governo Trump argumentou que “a guerra já havia terminado” devido ao cessar-fogo de abril — uma interpretação jurídica audaciosa que permitiria à Casa Branca contornar o prazo do Congresso para aprovar a extensão do conflito. Por outro lado, a realidade no mar é outra: a Marinha dos EUA mantém o bloqueio aos petroleiros iranianos e o Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, saudou um “novo capítulo” para o Estreito de Ormuz, indicando que o controle do trecho permanece como trunfo militar.
O ponto de conflito continua sendo o urânio. O governo Trump exige a entrega total do estoque iraniano, enquanto Teerã não abre mão do direito de enriquecimento. Uma solução intermediária, discutida entre o presidente dos EUA e o mandatário da Rússia, Vladimir Putin, envolveria o envio do urânio altamente enriquecido para a Rússia sob uma moratória de 10 anos.
Contudo, Jauhar Saleem, do Instituto de Estudos Regionais de Islamabad, alerta para o risco da intransigência de ambos os lados: “Não é realista esperar que o Irã ceda a todas as exigências. Um acordo precisa ser vantajoso para ambos os lados”.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que recebeu a promessa de uma proposta revisada de Teerã, sabe que o que está em jogo vai além da paz regional. Com a conta mensal de importação de energia do Paquistão triplicando devido ao conflito, a economia global respira por aparelhos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, já iniciou uma rodada de consultas com Arábia Saudita, Catar e Turquia para validar as novas “iniciativas da República Islâmica para pôr fim à guerra”, tentando garantir que, desta vez, o diálogo não seja apenas um intervalo antes da retomada dos bombardeios.
ISTOÉ, 01/05/2026



