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Juízes de Sergipe ganharam 4 vezes mais que ministros do STF em dezembro

Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE) se destacou no fim do ano de 2025, pois quase a metade dos magistrados ganharam de presente de Natal contracheques que ultrapassam a casa de R$ 200 mil reais em dezembro. Valor que suera salários dos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) cujo subsidio é de R$ 46 mil. A farra dos supersalários foi destaque na coluna Lauro Jardim, do jornal O GLOBO, nesta sexta-feira (9).

Além desse grupo, outros 77 magistrados receberam contracheques que variaram entre R$ 100 mil e R$ 200 mil no mesmo mês. Conforme dados disponíveis no Portal da Transparência do TJSE, apenas 13 juízes e desembargadores tiveram rendimentos inferiores, situados entre R$ 61 mil e R$ 97 mil. Nesse contexto, até quem recebeu menos de R$ 100mil já ultrapassou o teto do supremo.

O que tem dado sustentação à farra dos supersalários no Judiciário sergipano é o pagamento concentrado e retroativo da gratificação por acúmulo de acervo processual, autorizado pelo Pleno do TJSE no ano passado, com efeito retroativo a 2025. O aval ao penduricalho ocorreu em votação relâmpago, sem que tenha havido uma ampla discussão sobre o tema. Somente em dezembro, o tribunal pagou valores que variam de R$ 86 mil a R$ 92 mil para cada um dos seus magistrados.

Dos 157 juízes e desembargadores do TJSE, 144 receberam a gratificação, ficando de fora apenas os 13 magistrados que tiveram rendimentos entre R$ 61 mil e R$ 97 mil. Com isso, o impacto mínimo do penduricalho em dezembro foi de R$ 12,3 milhões. Considerando o valor máximo pago, o desembolso pode ter chegado a R$ 13,2 milhões em um único mês.

Nos três primeiros meses de vigência do acervo retroativo, a Corte torrou milhões com esse bônus. A projeção, no entanto, é de um impacto muito mais amplo: de acordo com estimativas do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário do Estado de Sergipe (Sindijus), o rombo pode alcançar pelo menos R$ 140 milhões.

Além das verbas salariais previstas na Constituição, como o subsídio de R$ 41,8 mil, consta nas remunerações dos magistrados indenizações generosas, como auxílio, saúde de R$ 6 mil e um polêmico auxílio-folga que pode chegar a R$ 13 mil, pago por folgas adquiridas a cada três dias trabalhados. Também entram na conta adicionais por tempo de serviço e indenizações por licenças não usufruídas.

Na prática, contudo, esse regramento foi completamente esvaziado em dezembro. Apesar da farra dos supersalários e da superação generalizada do teto constitucional, nenhum magistrado sergipano sofreu qualquer desconto em seus contracheques a título de “abate teto”.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: por Bruna Rocha/Bnews,

Publicado em 10/01/2026, às 10h12

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