Lula esteve na reunião de cúpula do G7, na França, para reafirmar a desimportância do Brasil, evidência na qual os gringos recusam-se a crer, estranhamente.
Em conversinha informal com a diretora do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz,
Lula disse o seguinte:
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“O mundo não é de esquerda, o mundo é do caminho do meio. Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical, que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma boa relação com a Espanha.”
A declaração talvez soe como novidade algo chocante à atual geração poncho-e-conga (obrigado, Telmo Martino), aliás bem mais ignorante e estúpida do que as suas anteriores. Mas é o tipo de fala recorrente na boca de Lula.
Há dezessete anos, o jornalista Ali Kamel publicou uma compilação das frases do chefão petista, então em segundo mandato presidencial, intitulada Dicionário Lula — um presidente exposto por suas próprias palavras. As frases de Lula são de uma primarismo intelectual na qual os seus adoradores recusam-se a acreditar, obviamente. Mas o primarismo é revelador também do caráter do homem.
Veja-se o verbete “Esquerda”, muito ilustrativo.
Em 2006, na entrega de um prêmio para o empreendedor do ano, que reunia capitalistas, o chefão petista disse:
“Passei vinte e poucos anos criticando o Delfim Netto, e agora o Delfim Netto é meu amigo e eu sou amigo dele. E por que eu estou dizendo isso? Porque eu acho que é a evolução da espécie humana. Quem é mais de
direita vai ficando mais de centro, quem é mais de esquerda vai ficando social-democrata, menos à esquerda, e as coisas vão confluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos que você vai tendo e de acordo com a responsabilidade que você tem, não tem outro jeito.
Se você conhecer uma pessoa muito idosa de esquerda, é porque ela está com problema. Se conhecer uma pessoa muito nova de direita, também está com problema.”
Três anos antes, logo depois de tomar posse no seu primeiro mandato presidencial, em reunião com os esquerdistas do Fórum Social Mundial, Lula afirmou:
“Embora tenha sido eleito presidente do Brasil, tenho a nítida noção do que a nossa vitória representa de esperança, não apenas aqui dentro, mas para a esquerda em todo o mundo e, sobretudo, para a esquerda da América Latina.”
Voltando a 2006, em conversa com jornalistas, a fala de Lula foi:
“Se você perguntar para mim se eu sou de esquerda, eu vou dizer: ‘Eu sou torneiro mecânico de profissão e católico por opção religiosa, e corintiano por opção futebolística.’ Eu acho que, se ser de esquerda é defender as coisas que eu defendo na área social, eu sou de esquerda. Mas o governo não é um governo de esquerda, o governo é um governo que governa em função da correlação da força política na sociedade, com forte inclinação para o atendimento das demandas sociais, que é para isso que o povo me elegeu, e eu, portanto, fico feliz.”
Finalmente, em 2007, em entrevista a um programa da TV americana, ele se felicitou:
“Sem nenhuma falta de modéstia, durante um tempo eu fui o melhor dirigente sindical brasileiro. Depois, criei o partido político mais importante da esquerda na América Latina e, em 20 anos, cheguei à Presidência da República.”
Os comunistas do Partidão nunca acreditaram que Lula fosse esquerdista. Pelo contrário, achavam até que ele e o PT serviram ao propósito da ditadura militar, nos seus estertores, de dividir a esquerda brasileira.
A questão é que, se um sujeito se finge de louco o tempo todo, anda com louco e tem discurso de louco, ele só pode ser considerado louco, mesmo que afirme o contrário — até porque nunca se viu louco dizendo que é louco.
Da mesma forma, não dá para deixar de considerar Lula de esquerda, uma vez que ele construiu a sua carreira política fingindo ser de esquerda o tempo inteiro, cercando-se de gente de esquerda e adotando um discurso de esquerda, modulado segundo a plateia.
Na sua essência, deixemos acertado que Lula é apenas um oportunista que pegou carona na convicção que lhe abria caminho naquele momento histórico da década de 1970. Um oportunista à esquerda.
18/06/2026 11:20, atualizado 18/06/2026 12:22