
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou novas restrições à atuação da imprensa. A partir de agora, jornalistas credenciados no Pentágono deverão obter autorização prévia do governo para publicar qualquer informação relacionada ao Departamento de Guerra (antigo Departamento de Defesa), mesmo que não seja classificada como confidencial. A medida, formalizada em diretrizes publicadas na noite da última sexta-feira, 19, gerou fortes críticas de organizações e especialistas em liberdade de expressão.
Segundo o documento, todas as informações que envolvam a pasta devem ser previamente aprovadas por um funcionário autorizado, incluindo dados obtidos por meio de fontes anônimas ou fora dos canais oficiais de comunicação. O descumprimento da norma pode resultar no cancelamento da credencial do profissional. Atualmente, 90 jornalistas possuem autorização de acesso ao Pentágono e terão de assinar um termo de compromisso com as novas regras.
A decisão do Pentágono soma-se a outros episódios de atrito do governo Trump com veículos de comunicação. O presidente processou jornais como o Wall Street Journal e o New York Times e voltou a afirmar, na última semana, que a cobertura da mídia sobre sua gestão é “excessivamente negativa”. Em tom de ameaça, declarou: “Só recebo má publicidade e má cobertura da imprensa. Talvez a concessão deles devesse ser suspensa”.
As pressões contra os jornalistas também têm alcançado correspondentes da Casa Branca. Por lá, um repórter da Associated Press perdeu a credencial após a agência se recusar a adotar a denominação “Golfo da América”, em substituição ao tradicional “Golfo do México”, como passou a exigir o republicano. Para analistas, medidas desse tipo configuram uma escalada de restrições à atividade jornalística e reforçam o clima de hostilidade entre o governo e a imprensa nos Estados Unidos.
Fonte: Atarde, 21/09/2025



