
O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, determinava que seus funcionários assinassem um termo de confidencialidade que os obrigava a manter sigilo sobre informações internas e dados de aposentados lesados pela farra do INSS.
Em trechos do termo, o call center do Careca afirma que as informações às quais os empregados teriam acesso são confidenciais e que sua divulgação poderia “causar prejuízos significativos à empresa”.
As cobranças do Careca dentro do call center eram grandes. Ele estipulava metas para que os funcionários realizassem de 150 a 200 descontos por dia em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, por meio da inclusão dos beneficiários em associações parceiras que cobravam mensalidades diretamente na folha — fato comprovado em análises de sistemas feitas pela Polícia Federal (PF).
Isso ocorre porque a legislação brasileira prevê que cláusulas de confidencialidade não se sobrepõem ao dever de colaborar com autoridades em apurações policiais ou judiciais.
Segundo apurou a coluna, investigadores da PF condicionam eventual delação premiada à apresentação de provas robustas que sustentem as informações oferecidas.
A avaliação é de que uma eventual colaboração do Careca seria considerada extremamente viável, mas não apenas com a apresentação de nomes de peso político.
Na avaliação de investigadores ouvidos pela coluna, a permanência na Papuda pode ser um fator de pressão para que o Careca decida falar.
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