
O Hospital Sírio-Libanês anunciou que o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou sua primeira sessão de radioterapia para tratar um carcinoma basocelular no couro cabeludo (o tipo mais comum de câncer de pele) e recebeu a indicação de radioterapia para completar seu tratamento após a cirurgia, em abril, de retirada de tumor na pele.
A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) explica que a radioterapia pode ser fundamental em alguns casos de câncer de pele, tanto no contexto adjuvante (após a cirurgia, como neste caso) ou pode, em outros casos, ser usada isoladamente.
Já o melanoma, por sua vez, é o tipo mais agressivo e letal de câncer de pele, caracterizado pela alta capacidade de disseminação para outros órgãos. Ele se origina nos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, o pigmento que dá cor à pele. Quando não diagnosticado e tratado no tempo adequado, o carcinoma basocelular pode evoluir com crescimento progressivo e infiltração de estruturas mais profundas da pele e de tecidos adjacentes.
Embora raramente resulte em metástase, esse comportamento localmente invasivo pode levar a morbidades importantes, como ulceração crônica, dor, sangramentos recorrentes e comprometimento funcional e estético, especialmente em áreas como face e couro cabeludo. Em casos mais avançados, pode haver invasão de cartilagem, osso e até estruturas nobres, o que demanda abordagens mais extensas, com cirurgias de maior porte e, frequentemente, a associação com radioterapia para controle da doença e redução do risco de recidiva.
Indicações de radioterapia
“Há muitos casos em que a cirurgia não é indicada, seja pela localização do tumor, por exemplo, em regiões da face onde o procedimento pode comprometer a estética do paciente ou em situações em que há risco de déficit motor ou outras condições de saúde associadas. Além disso, a radioterapia também pode ser utilizada em combinação com a cirurgia para aumentar o controle local da doença, principalmente quando existem margens positivas, mesmo que milimétricas, reduzindo o risco de recidiva, ou ainda em tumores mais profundos, que podem comprometer estruturas ósseas”, explica Wilson.
A radioterapia também tem um papel importante em casos mais agressivos do câncer de pele, como quando a doença começa a se espalhar ao redor dos nervos, situação que aumenta o risco de o tumor voltar e avançar para regiões mais profundas da cabeça. “Nesses casos, sem o tratamento complementar da radioterapia, o risco de o tumor voltar pode chegar a 30% a 50%.
Já com a radioterapia após a cirurgia, o controle local da doença costuma ficar entre 80% e 90%, além de reduzir o risco de progressão para regiões mais profundas”, explica Almeida Jr. Ainda segundo o especialista, quando o câncer retorna após uma ou mais cirurgias, o risco de uma nova recorrência pode ultrapassar de 40% a 50%. Com a associação da radioterapia complementar, porém, as taxas de controle local da doença podem chegar a aproximadamente 75% a 90%. Além disso, técnicas modernas de radioterapia permitem tratar lesões superficiais com alta precisão, preservando tecidos saudáveis ao redor da área acometida.
“Hoje, utilizamos aparelhos com aceleradores lineares de fótons e elétrons. Quando a máquina possui elétrons, conseguimos concentrar o tratamento exatamente sobre a área da lesão, com uma margem de segurança muito adequada, entregando a dose correta na profundidade necessária. Em muitos casos, isso permite tratar apenas a pele, sem irradiar estruturas mais profundas, como o cérebro. Essa é uma evolução importante da radioterapia. A braquiterapia também é uma alternativa bastante precisa para tratar lesões mais superficiais”, explica.
Radioterapia com Modulação de Intensidade do Feixe (IMRT na sigla em inglês): permite a entrega precisa de radiação ao tumor, reduzindo a exposição dos tecidos saudáveis ao redor. Isso é especialmente benéfico em casos de lesões mais profundas em que é fundamental a preservação do tecido circundante.
Radioterapia Estereotáxica Corporal (SBRT na sigla em inglês): entrega doses muito altas de radiação em um número limitado de sessões. Permite que o tratamento das metástases do melanoma em diversos locais como cérebro, pulmão, fígado e ossos seja feito em menos tempo e de forma mais intensa.
Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT na sigla em inglês): envolve o uso de imagens em tempo real durante as sessões de radioterapia para garantir que o feixe de radiação seja direcionado com precisão ao tumor, reduzindo a influência do movimento do paciente.
Radioterapia Adjuvante: pode ser usada em alguns casos após a cirurgia para melanomas ou tumores não melanoma em estágio avançado, visando prevenir recorrências locais.
Dados do câncer de pele
Segundo as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), os casos de câncer de pele não melanoma seguem em crescimento no Brasil e continuam sendo os tumores mais frequentes no país. No triênio 2023-2025, eram estimados cerca de 220 mil novos casos anuais da doença. Já para o triênio 2026-2028, esse número subiu para aproximadamente 263.280 novos casos por ano, demonstrando um avanço importante da incidência da doença na população brasileira.
O câncer de pele não melanoma representa sozinho mais de 33% de todos os tumores malignos diagnosticados no país. Apesar de apresentar altas taxas de cura quando identificado precocemente, Almeida Jr. alerta que muitos pacientes ainda chegam com tumores avançados. “ “É importante alertar que, ao identificar lesões diferentes no corpo, feridas que não cicatrizam, pintas que mudam de aspecto ou manchas suspeitas, o paciente deve procurar imediatamente um dermatologista para avaliação.
Mas além do diagnóstico precoce, também é fundamental reforçar as medidas de prevenção, que continuam sendo a principal forma de reduzir os casos de câncer de pele. O uso diário de protetor solar, evitar exposição ao sol nos horários de maior intensidade, utilizar chapéus, bonés, roupas com proteção UV e óculos escuros, principalmente em um país tropical com alta radiação solar como o Brasil”, finaliza.
Fonte: Correio da Bahia, 26/05/2026




