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“Transmissão da Mpox ocorre no contato pele a pele”, diz infectologista

Após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) para a Mpox, os olhos do mundo se voltaram para o surto da doença. O aumento dos casos tem gerado preocupação e mobilizado autoridades de saúde, mas não se trata de uma pandemia, como foi a Covid-19.

Segundo a OMS, o surto continua com baixo nível de transmissão fora do continente africano, onde tem a maior incidência de casos. No Brasil, o risco de contaminação é baixo. Em 2024, foram registrados 709 casos confirmados ou prováveis de Mpox, todos da variante que circula por aqui desde 2022. Da chegada da doença no país até o momento, 16 óbitos foram registrados, com a morte mais recente foi contabilizada em abril de 2023.

Em entrevista ao Portal A TARDE, Dr. Celso Granato, médico infectologista da Diagnoson a+, destacou que o alerta da OMS tem o objetivo de controlar o risco da doença chegar a lugares turísticos, como o Brasil, onde há mais facilidade de disseminação.

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De acordo com Granato, o contato sexual é uma das formas de transmissões mais comuns da Mpox, mas a principal acontece através da pele, ao encostar em uma pessoa com ferida causada pela doença.

Dr. Celso Granato, médico infectologista da Diagnoson a+
Dr. Celso Granato, médico infectologista da Diagnoson a+ | Foto: Divulgação

O infectologista explicou como acontece a transmissão pela saliva, ainda dentro do período de incubação. São sintomas que se confundem com outras doenças como gripe e dengue.

“A partir de cinco dias, sete dias, do contágio, a pessoa já começa a contar o tempo de incubação. Depois de quatro, cinco dias, a pessoa já começa a ter o vírus na saliva, nessa hora ele já é contaminante mas não é uma uma contaminação muito eficiente como a gripe. Nos primeiros dias da doença, três, quatro, cinco dias, a pessoa está com febre, está se sentindo meio mal, dores pelo corpo. Nessa hora a pessoa pode estar transmitindo sem estar percebendo e o pior é poder estar achando que é alguma outra coisa como gripe, dengue, chikungunya, porque são sintomas muito inespecíficos e que podem se confundir com outras”, diz o médico.

O Dr. Celso Granato explica que o surto aconteceu por causa de uma mutação do vírus, que já estava presente na África há muitos anos, mas sofreu uma pequena alteração recentemente.

“Sempre que você tem um surto de um número muito grande de coisas, do ponto de vista estatístico, aumenta a chance de ter variações. Vírus se multiplica em uma velocidade muito rápida. Esse, especialmente, é muito rápido e pode errar. Ele faz um vírus cível que não é exatamente igual aquele vírus pai e vírus mãe. Não quer dizer que ele vai ser obrigatoriamente grave por causa disso, mas ele fica mais grave, que é o que está acontecendo agora. Ele está matando os pacientes com uma frequência um pouco maior do que o vírus anterior e ele está transmitindo com uma frequência maior do que ele fazia antes. Ainda falta muita coisa pra gente saber”, completa o médico.

A mpox é uma doença zoonótica viral
A mpox é uma doença zoonótica viral | Foto: Débora F.Barreto | Fiocruz

Pacientes de risco

Recém-nascidos, crianças e pessoas com imunodepressão pré-existente correm risco de apresentar sintomas mais graves e de morte por mpox. Profissionais de saúde também apresentam risco elevado devido à maior exposição ao vírus.

O infectologista chama atenção para pacientes diagnosticados com HIV sem um controle adequado da doença.

“Hoje em dia os tratamentos pra HIV estão bastante efetivos. Se for uma pessoa que o soro positivo para HIV, que está descontrolado, não está tomando remédio direitinho ou se contaminou há pouco tempo e ainda não está tomando tratamento, esse grupo corre mais risco. Se a pessoa tiver com essas bolhas, pode pegar uma contaminação bacteriana antes de tratar as feridas, aí que pode ficar mais grave. Se a pessoa tiver a imunidade muito fraca, seja pelo HIV ou por transplante, pode ter a disseminação do próprio vírus e ele parar no pulmão, no coração ou no cérebro. Então, acaba que a pessoa pode ter uma contaminação de uma doença que, normalmente, seria restrita à pele”, completa.

 

 

 

 

 

 

 

Atarde, 16/08/2024

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