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PCC e CV: EUA rebate Itamaraty e chama de “absurdo” uso da força contra o Brasil

Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como “absurdo” o temor manifestado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, de que Washington possa utilizar força militar em território brasileiro após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

“Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender nosso povo contra elas”, afirmaram.

Em resposta ao Metrópoles, o Departamento de Estado afastou qualquer possibilidade de que a designação tenha como objetivo justificar uma intervenção no Brasil.

A pasta sustentou que a política estadunidense está voltada ao combate de organizações criminosas que passaram a atuar em território dos Estados Unidos e afirmou que “alegações vagas” de intervenções militares podem “ajudar e incentivar” grupos terroristas. 

“Alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e incentivar alguns dos grupos mais violentos do mundo”, disseram.

 

Documento do Itamaraty

A manifestação responde às declarações contidas em um documento assinado por Mauro Vieira e encaminhado pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados.

No texto, o chanceler afirma que a decisão unilateral dos Estados Unidos de enquadrar o PCC e o CV como organizações terroristas poderia abrir margem para ações extraterritoriais contra instituições brasileiras, inclusive com o “risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”.

“A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional“, diz o chanceler.

 

O ministro argumenta que a legislação antiterrorismo norte-americana permite ampla discricionariedade na adoção dessas medidas, o que, em sua avaliação, poderia gerar consequências para cidadãos brasileiros nos campos financeiro, migratório e penal, além de produzir impactos sobre a soberania nacional.

A manifestação ocorre dias após o governo do presidente Donald Trump intensificar sua política de combate às facções brasileiras. Além de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), Washington anunciou as primeiras sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal, acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

De acordo com o governo dos EUA, a estrutura teria movimentado mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.

Também foram alvo das sanções as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.

07/07/2026 17:42, atualizado 07/07/2026 18:03
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