
Em um longo discurso logo depois de ter sua candidatura oficializada em convenção partidária realizada em São Paulo neste domingo (2/8), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania nacional, além de fazer acenos às mulheres e aos idosos. Aos 80 anos, o líder petista busca o quarto mandato presidencial, fato inédito na história política do país.
Durante o evento, que aconteceu no Expo Center Norte, Lula foi incisivo em relação aos casos de violência de gênero. “Quando ele [homem] sentir raiva de uma mulher, ele tem que lembrar de onde ele veio: da barriga de uma mulher”, afirmou.
Soberania nacional
Em diferentes momentos, Lula falou sobre a defesa da soberania nacional. Em uma referência ao sequestro do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos EUA, ele afirmou que o Brasil precisa investir na indústria da defesa. “Eu quero estar preparado para que ninguém invada esse país”, disse. “Quero estar preparado para a paz, para ninguém se fazer de besta conosco.”
Idade avançada
Em uma tentativa de se precaver sobre ataques em relação à idade avançada, Lula afirmou estar melhor agora, com 80 anos, do que estava quando tinha 57.
Ainda assim, o presidente fez uma analogia com o esporte e indicou que esta será sua última eleição porque pretende tirar férias para “namorar”. “Se eu ganhar essa, são 4 Copas. Eu não vou ter chance de disputar o penta, porque eu resolvi, depois que a gente entregar o Brasil perfeitamente para o povo brasileiro, nós [eu e Janja] vamos sair de férias para namorar mais uns 20 anos”.
Antes do discurso de Lula, aliados do presidente participaram do evento. A candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB), por exemplo, chamou Flávio Bolsonaro (PL) de “golpista”. “Não tem dois democratas disputando a eleição. O lado de lá é extrema direita. É aquele que quer tirar e eliminar direitos já conquistados. Que acha que lugar de mulher é só dentro de casa, que discute até o direito do voto feminino. Tal pai, tal filho. Golpista, sempre golpista. E a população brasileira está começando a perceber isso”, afirmou a ex-ministra.
Já o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad afirmou que Lula “é motivo de inveja no mundo”. “As pessoas gostariam de ter um Lula à sua disposição. Só que o Lula é brasileiro. Só que o Lula é nosso“, disse. E o ex-ministro acrescentou: “O Brasil está sendo reconstruído e vai continuar seguindo em frente, de cabeça erguida, sem baixar a cabeça para presidente de nenhum outro país, sem botar boné de presidente de nenhum outro país, defendendo os interesses nacionais, independentemente do teor das ameaças que possam nos ser feitas”.
Lula repete nestas eleições a chapa vitoriosa de 2022, com Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice. Alckmin teve a candidatura confirmada na convenção nacional da legenda em Brasília, na quarta-feira (29/8), em evento com a participação do presidente e de líderes partidários.
Apesar do longo discurso de Lula, a convenção do PT no Expo Center Norte foi marcada por discursos mais curtos dos aliados do presidente, uma tentativa de mostrar a multiplicidade de políticos que apoiam a chapa — um contraponto ao principal adversário do petista, Flávio Bolsonaro (PL), que até agora não anunciou coligações. Nas eleições deste ano, Lula terá como aliados o PSB, PCdoB, PV, PDT, PSol e Rede.
Flávio esteve em São Paulo, neste sábado (1º/8), para participar da oficialização da candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à reeleição para o governo do estado. Durante discurso na convenção partidária, o filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) disse que o governo federal boicota o governador paulista e que o país “não aguenta mais quatro anos de PT”.



