
O governo interino da Venezuela e a oposição avançaram nas negociações para transferir aos Estados Unidos cerca de US$ 4 bilhões em reservas de ouro, o equivalente a R$ 21,8 bilhões. Atualmente, as 31 toneladas do metal estão armazenadas nos cofres do Banco da Inglaterra.

As barras poderiam servir como garantia para empréstimos destinados ao financiamento de despesas públicas e à reconstrução da Venezuela após os terremotos registrados em junho. A proposta inclui mecanismos de supervisão defendidos pela oposição para evitar o uso indevido do patrimônio.
“O ouro vai para os Estados Unidos, mas Delcy não terá acesso direto. Haverá supervisão e restrições”, afirmou ao jornal uma fonte da oposição envolvida nas conversas.
O impasse sobre o ouro começou em 2019, quando Estados Unidos, Reino Unido e outros países reconheceram Juan Guaidó, então presidente da Assembleia Nacional, como chefe legítimo do Estado venezuelano. Desde então, a oposição reivindica o controle das reservas depositadas em Londres. O caso chegou à Suprema Corte britânica.
As tratativas, contudo, ainda não foram concluídas. Questões técnicas continuam em discussão e podem atrasar a transferência. O Banco da Inglaterra declarou que não poderá tomar qualquer medida enquanto a Justiça não definir quem tem autoridade legal sobre a conta que mantém o ouro.
Reino Unido e Venezuela também decidiram elevar o nível das relações diplomáticas, com a volta de um embaixador britânico a Caracas. O governo britânico declarou apoio às conversas sobre novas eleições.
Presidente da Assembleia Nacional e chefe da delegação governista nas negociações, Jorge Rodríguez esteve recentemente em Londres. Após encontros com autoridades britânicas, afirmou nas redes sociais que haveria “boas notícias” para os venezuelanos.
O governo da Venezuela, a oposição e o Banco da Inglaterra não comentaram o conteúdo das negociações ao Financial Times.
Fonte: por Carol Neves/Correio da Bahia,



