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Áudio de sindicalista revela ação coordenada para adesivar ônibus e prejudicar transporte nas eleições

Um áudio atribuído ao presidente interino do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, Fábio Primo, que circula nas redes sociais, revela uma ação organizada para adesivar ônibus do transporte público da capital baiana durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25/10). Na gravação, o dirigente sindical detalha uma operação envolvendo integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), com distribuição de material, divisão de responsabilidades por garagens e orientações para a colocação dos adesivos nos veículos que entrariam em circulação.
O conteúdo levanta novos questionamentos sobre a atuação do movimento sindical no dia da votação, quando a operação do transporte público de Salvador enfrentou problemas no início da manhã em função da necessidade de retirada de propaganda eleitoral irregular colocada nos ônibus.

Na gravação, Fábio Primo convoca integrantes da CTB para uma mobilização que considera decisiva e determina que o grupo assuma a responsabilidade pela atuação nas garagens das empresas de transporte.

“Esse momento é crucial. A CTB sempre na vanguarda, sempre esteve à frente desses movimentos. Eu quero que todos os grupos estejam lá, mas eu quero que a CTB se responsabilize pelas garagens”, afirma.

O dirigente também informa que o material já estava sendo distribuído e identifica os responsáveis pela atuação em diferentes garagens. Ao longo do áudio, cita nominalmente integrantes encarregados de receber e distribuir os adesivos, além de orientar o posicionamento do material nos ônibus.

Um dos trechos mais reveladores da gravação é a orientação para que os sindicalistas identifiquem previamente quais ônibus efetivamente entrariam em circulação. Segundo o dirigente, como não havia material suficiente para todos os veículos, a prioridade deveria ser dada àqueles que seriam utilizados na operação do transporte público.

“A gente tem que chegar lá, quando chegar, pegar na mão do operador o número dos carros que vão sair, para a gente colar apenas nos carros que vão sair. Não tem material para todos os carros não, até porque eles não colocam 100% da frota”, afirma.

A orientação demonstra que a mobilização não se limitava a uma manifestação espontânea de trabalhadores, mas envolvia planejamento, distribuição de tarefas e direcionamento da ação para os veículos que atenderiam a população no dia da eleição.

A utilização de veículos de transporte coletivo para propaganda eleitoral configura irregularidade, conforme as circunstâncias e as regras estabelecidas pela legislação eleitoral.

A Prefeitura de Salvador sustenta que a operação do transporte público foi planejada nos mesmos moldes do primeiro turno das eleições, quando, segundo a gestão municipal, não houve problemas significativos.

A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) afirmou que a colocação de propaganda eleitoral nos ônibus interferiu na operação e exigiu providências para a retirada do material.

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