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Autismo, TDAH e o medo do ‘rótulo’: o que o diagnóstico realmente muda na vida

A palavra “diagnóstico” ainda provoca receio em muitas famílias. Quando o assunto envolve autismo, TDAH ou outras formas de neurodivergência, o medo de receber um “rótulo” pode fazer com que a busca por uma avaliação especializada seja adiada. Ao mesmo tempo, o aumento da conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e outros transtornos do neurodesenvolvimento tem levado mais pessoas a procurar respostas para dificuldades percebidas desde a infância ou que continuam na vida adulta.

Juiz baiano descobriu autismo na vida adulta
Juiz Gerivaldo Alves Neiva por Acervo pessoal

O que significa ser neurodivergente?

O termo neurodivergência é utilizado para descrever pessoas cujo funcionamento neurológico ocorre de maneira diferente do padrão predominante. Isso, por si só, não significa que a pessoa tenha uma doença. Entre as condições frequentemente associadas ao conceito estão autismo, TDAH, dislexia e outros transtornos do neurodesenvolvimento. As manifestações, porém, podem variar bastante de uma pessoa para outra.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente uma em cada 100 crianças está no espectro autista. Já o TDAH afeta cerca de 5% das crianças e adolescentes em todo o mundo, de acordo com estudos internacionais. O reconhecimento dessas condições pode permitir que a pessoa receba suporte mais adequado em diferentes etapas da vida.

O diagnóstico de condições como TEA e TDAH é essencialmente clínico, feito a partir da avaliação de médicos e, quando necessário, de uma equipe multiprofissional. Isso significa que não existe um único exame capaz de, sozinho, determinar se uma pessoa é autista ou tem TDAH.

Em determinadas situações, porém, exames complementares podem fazer parte da investigação. Isso pode ocorrer, por exemplo, diante de atraso global do desenvolvimento, deficiência intelectual, epilepsia, malformações congênitas ou histórico familiar. Nesses casos, exames laboratoriais e genéticos podem ajudar a investigar condições associadas e fornecer informações adicionais para a equipe médica.

“Os exames não substituem a avaliação clínica, mas podem contribuir para esclarecer causas genéticas relacionadas ao quadro apresentado pelo paciente. Essas informações auxiliam o médico na definição do acompanhamento, do aconselhamento familiar e, em algumas situações, das estratégias terapêuticas”, afirma Aschoff.

Identificar cedo pode fazer diferença

Além disso, o diagnóstico pode contribuir para reduzir interpretações equivocadas sobre determinados comportamentos e combater preconceitos relacionados à neurodivergência.

O foco deve estar na pessoa, não no diagnóstico

Para os especialistas, o desafio é mudar a percepção de que receber um diagnóstico necessariamente significa carregar um estigma. A identificação de uma condição pode, ao contrário, ajudar a pessoa e a família a compreender melhor dificuldades, potencialidades e formas de aprendizagem.

“O mais importante não é o rótulo, mas entender as necessidades, as potencialidades e as formas de aprendizagem de cada pessoa. Quando isso acontece, é possível construir estratégias mais eficazes para que ela desenvolva todo o seu potencial”, conclui Carlos Aschoff. Assim, mais do que colocar uma etiqueta, a avaliação especializada pode ajudar a responder uma pergunta essencial: o que essa pessoa precisa para aprender, se desenvolver e viver melhor?

 

 

 

 

 

 

Fonte: por Perla Ribeiro/Correio da Bahia,

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 15:46
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