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Cidades turísticas baianas sofrem com interrupção do fornecimento de energia no Verão

As cidades turísticas da Bahia são destinos certos para baianos e turistas no período do Verão. Mas, junto com o aumento dos visitantes, cresce também o número de interrupções no fornecimento de energia elétrica. O problema se intensifica a partir do final do ano e segue pelos meses ensolarados. Como acontece na Ilha de Boipeba, localizada no município de Cairu. Por lá, revela Bernardo Bramont, líder comunitário na praia de Moreré, a precariedade com o fornecimento da energia elétrica é antiga.

“Em 2016 e 2017, protocolei na Seinfra [Secretaria de Infraestrutura da Bahia] e na Coelba essas solicitações para mudanças de rede aqui, e de lá pra cá é só enrolação”, diz. Segundo ele, a secretaria estadual e a Neoenergia afirmam que tem um novo projeto, mas isso nunca sai do papel. Sobre o prejuízo, Bernardo conta que já perdeu as contas de quantos eletrodomésticos perdeu por conta das quedas de luz. “Toda hora freezer quebra, tem que chamar um técnico e, como moramos em uma ilha, pra ele se locomover pra cá cobra uma taxa de deslocamento, é tudo muito caro pra gente”, explica.

Ao ser procurada pela reportagem, a Seinfra informou que a equipe técnica do órgão irá encaminhar a demanda para Coelba a fim de que a mesma faça a fiscalização e manutenção da rede de energia elétrica na região da Praia de Moreré, na Ilha de Boipeba.

Os problemas com o fornecimento de energia também são recorrentes nos verões do Litoral Norte. Em Porto de Sauípe, distrito turístico de Mata do São João, a população recorreu às velas no último final de semana. Caso da jornalista Yasmim Oliveira, 22 anos. “Estamos sem luz desde ontem (28 de novembro). A Coelba disse que só vai voltar 6h30 de amanhã, mas estamos o dia todo sem luz”, relata.

“Aqui em casa já solicitamos poda para a Coelba. Tem mais de três meses e eles ainda não vieram fazer, então qualquer ventania que [dá] e as árvores tocam os fios, cai a energia”, relata a moradora.

Ela ainda conta que o problema com energia na cidade é de longa data. “Ficamos um pouco mais de um ano vivendo só de energia solar, desligando geladeira 17h, desligando todo o sistema às 23h. Às vezes, quando a gente estendia o expediente até 0h, eu ficava só com o modem na tomada porque era o que restava na bateria da energia solar. E banho frio, todo esse tempo. Só esse ano, em setembro, conseguimos a instalação e tivemos acesso a rede de energia elétrica. Depois de muita reclamação na Aneel, Reclame Aqui, Inema e Visitas mensais a Coelba em Seabra”, detalha.

Procurada, a Neoenergia Coelba informou que, no extremo Sul do estado, “a Subestação Coroa Vermelha teve a sua potência duplicada, beneficiando os comerciantes e turistas de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália”. E nas ilhas do baixo Sul, “foram construídos novos circuitos em regiões de alta demanda turística e reforço nas subestações com transformadores de força para atender o aumento de carga deste período”. Sobre Moreré, a empresa relatou que “boa parte dos problemas na rede é proveniente de ligações clandestinas, que causam sobrecarga e prejudicam os clientes regulares. Existe um plano de melhorias na rede local, cujas ações estão em tramitação das licenças ambientais junto aos órgãos competentes por se tratar de área com restrições ambientais”.

Já quanto a região da Chapada Diamantina, a distribuidora revelou que “uma nova subestação foi construída em Mulungu do Morro, aumentando a capacidade e energética da região”. E sobre o Litoral Norte, a empresa apontou que “investiu mais de R$ 30 milhões para substituir cerca de 200 transformadores e atender a demanda das cargas que não foram declaradas pelos condomínios”.

 

 

 

 

 

 

 

Correio/BA, 01/01/2025

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